Motorista que matou idosa se torna ré e escreve a próprio punho que não está recebendo ameaças em presídio de MS

Motorista que matou idosa se torna ré e escreve a próprio punho que não está recebendo ameaças em presídio de MS

Motorista que matou idosa também aplicou golpe em mercado de MS, diz polícia — Foto: Redes sociais/Reprodução

O juiz Carlos Alberto Garcete aceitou a denúncia do Ministério Público. Publicação ocorreu nesta quinta-feira (14), no Diário Oficial da Justiça.

A motorista Pâmela Ortiz de Carvalho, de 36 anos, se tornou ré pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação. O juiz Carlos Alberto Garcete aceitou a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE-MS). A decisão do magistrado foi publicada nesta quinta-feira (14), no Diário Oficial da Justiça.

No teor do documento, também conta que ela teria sido ameaçado no presídio. Pâmela então foi questionada, negou os fatos e ainda escreveu a próprio punho que não estava recebendo nenhuma ameaça e que quer ficar no Instituto Penal Feminino Irmã Zorzi, onde ela está presa desde o mês de fevereiro deste ano.

O enterro da aposentada Dirce Santoro Magalhães, de 79 anos, ocorreu no início desta semana. Vizinhos do bairro Santo Antônio ainda diziam estar estarrecidos com o crime e contaram a reportagem o momento em que a idosa chegou em casa, falando que havia conhecido uma pessoa boa e que afirmava “amar os idosos”.

O inquérito do caso foi finalizado e a polícia indiciou Pâmela pelos crimes. A pena máxima ultrapassa a 30 anos de prisão. Ela confessou bater a cabeça da idosa no meio-fio e abandonar o corpo em um terreno baldio, na região do Indubrasil.

Outras passagens da polícia

No dia 27 de fevereiro, um comerciante do bairro Coophavila foi até a delegacia e também denunciou Pamela por estelionato,apresentando um cheque sem fundo, em nome dela, no valor de R$ 350. Ela já possuía antecedentes criminais por estelionato, ameaça e furto.
“A vítima apresentou o cheque e o documento foi apreendido. O cheque, em nome dela, era à vista e isso caracteriza o crime de estelionato, já que não tinha fundo. A conta foi aberta no mês de outubro e, dois meses depois, ela aplicou o golpe. O boletim de ocorrência está sendo feito agora inclusive”, falou na ocasião a delegada Christiane Grossi, responsável pelas investigações.

Conforme a polícia, a suspeita ainda tentou despistar a investigação, buscando informações do paradeiro da vítima. Entre outros nomes, Pamela se referia a idosa como “vó, vozinha, vozinha querida”. “No dia que descobrimos o corpo, tiramos fotos e mostramos para a Pamela, e mesmo diante de tantas provas contra ela, ela chegou a dizer: ‘Nossa, o que fizeram com a minha vozinha?'”, disse o delegado Carlos Delano.

A Polícia classificou Pamela como uma pessoa fria, dissimulada e com traços de psicopatia. “Desde o dia que ela chegou aqui, ela manteve o mesmo tom de voz. Sempre se mostrando preocupada com vítima, querendo passar a impressão de uma pessoa boa e do bem. Mas nós sabemos que tudo isso é um grande teatro”, comentou Grossi.
Ainda de acordo com a polícia, Pamela só confessou o crime após sete horas de interrogatório, porém, sustentou a seguinte versão: disse que estava levando a idosa para passear e que, em um determinado momento, houve uma discussão entre elas.

Segundo a suspeita, a vítima teria pulado para fora do carro com o veículo ainda em movimento e batido a cabeça no meio-fio. Na sequência, ela diz que “ficou desesperada e bateu ainda mais a cabeça da idosa no concreto”, em seguida, levou a mulher para debaixo de uma árvore e cobriu o corpo com galhos. A versão é contestada pela perícia, que localizou uma grande quantidade de sangue no local e o rosto da idosa completamente desfigurado, demonstrando que houve agressão intensa.

A motorista postou há 6 meses em suas redes sociais um vídeo pedindo respeito a idosos. O advogado de Pamela, Edmar Soares, disse que a família da cliente informou que ela tem problemas psiquiátricos, e que a motorista fez questão de dizer que agiu em legítima defesa.

Entenda o caso

idosa estava desaparecida desde o dia 23 de fevereiro, quando saiu de casa no bairro Santo Antônio. Quando houve o desaparecimento, vizinhos informaram à polícia que a aposentada não costumava dormir fora de casa e mantinha o imóvel todo arrumado. A suspeita atuava como motorista particular da idosa desde julho de 2018.

“Ela vivia sozinha e eles estranharam o fato dela não aparecer no sábado e domingo. Então chegaram a pensar que ela poderia estar morta dentro do imóvel”, explicou Grossi. No outro dia, a polícia encontrou o corpo da idosa na região do Indubrasil . O rosto dela estava completamente desfigurado e havia muito sangue no local do crime, principalmente próximo a um meio-fio.

Pamela foi chamada para prestar depoimento na segunda-feira (26). Durante o interrogatório, apresentou contradições e foi presa. Segundo a polícia, a morte da idosa teria sido motivada pelo fato da vítima ter descoberto que a motorista usou o cartão dela para fazer uma compra no valor de cerca de R$ 1 mil em shopping da capital.

Fonte: G1MS

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