A morte de um bebê com apenas um mês de idade é investigada por suspeita de chikungunya em Dourados. Se a causa for confirmada, esse será o quinto óbito pela doença no Estado, que lidera o ranking nacional de incidência, com 103,9 casos a cada 100 mil habitantes. Dourados vive epidemia da doença e decretou emergência de saúde. A Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atua na cidade.
Boletim epidemiológico municipal divulgado na terça-feira (24) mostra que Dourados acumula 1.286 casos prováveis de chikungunya, com 721 confirmações. A taxa de positividade chega a 76,8%. A maior parte dos casos está na Reserva Indígena da cidade, principalmente nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Ao todo, 27 pessoas estavam internadas ontem (24) no município com confirmação da doença.
Entre as outras quatro mortes registradas, há outro bebê, de três meses, que morreu no dia 10 de março. As outras vítimas de chikungunya em MS são idosos: uma mulher de 69, com morte registrada em 13 de fevereiro; um homem de 73 anos, que morreu em 9 de março; e outra mulher, falecida aos 60 anos, em 12 de março.
O que diz a SES?
A SES (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) informa que o óbito mencionado se encontra em investigação pelas equipes de vigilância epidemiológica.
De acordo com os protocolos vigentes, enquanto o caso estiver em processo de investigação, não é possível confirmar a causa nem divulgar informações adicionais, em respeito aos critérios técnicos e à legislação vigente, incluindo a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
A Secretaria ressalta que, após a conclusão da investigação e eventual confirmação, as informações serão devidamente incluídas nos boletins epidemiológicos oficiais.
A SES reforça que mantém monitoramento contínuo dos casos de chikungunya no Estado e segue atuando de forma integrada para o enfrentamento da doença.
MS lidera incidência
Com 103,9 casos de chikungunya a cada 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional da doença e passa a ser o único estado do país classificado com incidência média. O Estado acumula 3.038 casos prováveis em 2026. No entanto, o número caiu 47,8% com relação à semana anterior, após um período de explosão da doença, desde a segunda quinzena de fevereiro.
No comparativo nacional, Mato Grosso do Sul é seguido por Goiás (78,9 casos por 100 mil hab.) e Rondônia (27,1 casos por 100 mil hab.). A incidência no Brasil é de apenas 9,2 — então, MS está 91,1% acima da média nacional. O país acumula 19.537 casos prováveis, 12 mortes confirmadas e 13 em investigação. Ou seja, 15,5% dos casos e um terço das mortes estão concentradas em Mato Grosso do Sul.
Dourados, que vive epidemia da doença, registrou queda de 63,8% nos casos na última semana, com relação ao mesmo período anterior. Entre 8 e 14 de março, foram 94 casos, que caíram para 34 entre 15 e 21 de março. No total, são 564 casos prováveis na cidade. A Reserva Indígena da cidade já registrou quatro mortes por chikungunya e a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atua no combate ao surto em aldeias.
Emergência em Dourados
Em meio à epidemia de chikungunya, que causa lotação em unidades de saúde de Dourados, a SES (Secretaria Estadual de Saúde) disponibilizou 15 leitos no Hospital Regional da cidade para atendimento de chikungunya. Na terça-feira (24), a taxa de ocupação de leitos era de 98% na cidade.
Na segunda-feira (23), reunião entre equipes da SES, da prefeitura e da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) definiu ações emergenciais para o combate da epidemia. Entre elas, o Ministério da Saúde vai contratar por três meses, em caráter emergencial, 20 agentes de combate a endemias na cidade.
Além disso, conforme a SES e o Ministério, as estratégias estabelecidas na reunião incluem melhor organização da regulação assistencial, transporte sanitário e integração entre as redes pública e privada.
A prefeitura de Dourados confirmou que a morte do bebê é investigada por suspeita de chikungunya.
Fonte: Jornal Midiamax

















