Em apenas um ano, o delegado Hoffman d’Ávila Cândido e Sousa, preso preventivamente na Operação Infiltrados, passou por três unidades da Polícia Civil. O delegado é investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Ele foi preso nesta quinta-feira (24), em Campo Grande.
Antes das passagens relâmpago por duas delegacias em 2026, Hoffman permaneceu por quase sete anos no comando da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), entre 2019 e fevereiro de 2026, quando foi transferido para assumir o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
Quatro meses depois, em junho, também deixou a especializada e foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, no bairro Jardim Tijuca. Em setembro, se tornou alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), nesta quinta-feira (24).
Hoffman construiu nos últimos cinco anos parte significativa da carreira na repressão ao narcotráfico. Designado adjunto da Denar no fim de 2019, participou de grandes operações contra organizações criminosas e assumiu formalmente a chefia da especializada em julho de 2022.
Permaneceu no posto por cerca de três anos e sete meses, período marcado por apreensões de toneladas de entorpecentes, operações contra lavagem de dinheiro e investigações de rotas interestaduais e internacionais do tráfico.
Em março de 2024, o delegado representou o Estado no 1º Encontro Técnico para Criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Entorpecentes.
O delegado foi preso preventivamente na Operação Infiltrados, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança e posterior repasse dos entorpecentes a traficantes. A defesa afirma que foi surpreendida pela investigação e aguarda acesso aos autos.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.
Desvio de drogas
Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.
A droga desviada seria repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais seriam responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.
Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.
Confira a lista dos presos:
- Douglas Tobias (policial civil);
- Neverson Vieira de Araújo (policial civil);
- Luiz Carlos de Souza (policial civil);
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira (policial civil);
- Nilton César Sales dos Santos (policial civil);
- Alison Lemes Bezerra (policial militar);
- Augusto Torres Galvão Florindo (ex-policial civil);
- Vitor Ribeiro Venancio dos Santos (policial penal, que já estava preso);
- Valdenice da Silva Goes (mãe de investigado);
- Ana Carolina da Silva dos Santos (irmã de investigado);
- Wesley Benites.
Fonte: Jornal Midiamax















