Segundo dados do Ministério da Saúde, 16 municípios de Mato Grosso do Sul enfrentam epidemia de chikungunya. O Estado acumula 4.214 casos prováveis da doença, além de oito mortes confirmadas e três óbitos em investigação.
No dia 31 de março, eram 14 cidades nesta situação. Ou seja, em dez dias, mais dois municípios entraram na faixa de epidemia, com incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes.
Apenas Antônio João, Água Clara e Figueirão reduziram os casos a ponto de sair do limite epidêmico. Por outro lado, Douradina, Dourados, Itaporã, Costa Rica e Angélica registraram alta na circulação do vírus chikungunya, e a situação desses municípios passou a ser considerada epidemia.
Epidemia em MS
- Fátima do Sul – incidência de 2.325,2 – 500 casos prováveis (492 confirmados e 8 suspeitos);
- Jardim – incidência de 1.289,6 – 316 casos prováveis (248 confirmados e 68 suspeitos);
- Sete Quedas – incidência de 1.201,4 – 136 casos prováveis (99 confirmados e 37 suspeitos);
- Vicentina – incidência de 661 – 43 casos prováveis (27 confirmados e 16 suspeitos);
- Douradina – incidência de 641,5 – 37 casos prováveis (8 confirmados e 29 suspeitos);
- Selvíria – incidência de 631 – 55 casos prováveis (1 confirmados e 54 suspeitos);
- Amambai – incidência de 603,6 – 252 casos prováveis (36 confirmados e 216 suspeitos);
- Bonito – incidência de 543,3 – 136 casos prováveis (69 confirmados e 67 suspeitos);
- Paraíso das Águas – incidência de 530,6 – 31 casos prováveis (30 confirmados e 1 suspeitos);
- Guia Lopes da Laguna – incidência de 494,3 – 50 casos prováveis (31 confirmados e 19 suspeitos);
- Corumbá – incidência de 469,9 – 464 casos prováveis (31 confirmados e 433 suspeitos);
- Jateí – incidência de 361,5 – 13 casos prováveis (4 confirmados e 9 suspeitos);
- Dourados – incidência de 360,2 – 951 casos prováveis (736 confirmados e 215 suspeitos);
- Itaporã – incidência de 332,5 – 84 casos prováveis (20 confirmados e 64 suspeitos);
- Costa Rica – incidência de 330,6 – 95 casos prováveis (4 confirmados e 91 suspeitos);
- Angélica – incidência de 300,7 – 34 casos prováveis (4 confirmados e 30 suspeitos).
Considerando todas as cidades de Mato Grosso do Sul, a incidência chega a 144,1 casos por 100 mil habitantes no Estrado — quase 13 vezes maior que a média nacional, de 11,4.
Os dados foram publicados nesta semana, no painel de monitoramento das arboviroses do Ministério da Saúde, com informações atualizadas até o último sábado (4). No último boletim epidemiológico da SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de MS), eram 3.657 casos prováveis, até o dia 28 de março. Em uma semana, o Estado somou mais 557 registros da doença, entre confirmações e suspeitas.
Alta em várias cidades
Fátima do Sul, cidade com maior incidência, registrou mais oito casos prováveis em dez dias. Em segundo lugar, Jardim teve alta de 42 casos neste período. O município de Sete Quedas obteve mais 15 registros, com acréscimo de 15,3% na incidência. A doença segue em ascensão nas duas cidades, que são as com maior número de casos a cada 100 mil habitantes no Estado, com valores superiores a mil.
Amambai teve disparada no crescimento tanto em número de casos quanto em incidência. Em dez dias, foram 100 registros de casos prováveis e alta de 65,7% na incidência de chikungunya. Corumbá registrou mais 73 casos prováveis e Jardim, 42.
Em Dourados, a epidemia estava concentrada na Reserva Indígena da cidade. No entanto, nas últimas semanas, o cenário mudou, e a alta de casos agora se concentra na área urbana. Assim, o município entrou na faixa considerada epidemia, por conta da incidência superior a 300.
MS lidera números de chikungunya
Em todo o Brasil, são 16 mortes confirmadas e oito em Mato Grosso do Sul — ou seja, metade está concentrada no Estado.
O Brasil tem 24.378 casos prováveis de chikungunya. Assim, Mato Grosso do Sul representa 17,2% do total nacional. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (95,6), Rondônia (30,7), Minas Gerais (30,4), Mato Grosso (18,4), Tocantins (16,8) e Rio Grande do Norte (12,3).
Os dados foram publicados nesta semana, no painel de monitoramento das arboviroses do Ministério da Saúde, com informações atualizadas até o último sábado (4). No último boletim epidemiológico da SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde de MS), eram 3.657 casos prováveis, até o dia 28 de março.
Oito mortes confirmadas
Uma mulher de 82 anos morreu por chikungunya em Jardim, no dia 23 de março deste ano. Outro óbito foi registrado em Bonito: um homem de 72 anos, que morreu em 19 de março.
Em Dourados, foram seis vítimas indígenas — duas mulheres, de 69 anos (25 de fevereiro) e 60 anos (12 de março); dois homens, de 73 anos (4 de fevereiro) e 55 anos (3 de abril); e dois bebês, ambos meninos, de um mês (19 de março) e três meses (6 de março).
Três óbitos em investigação
A cidade de Jardim, distante 239 quilômetros de Campo Grande, aguarda resultado de exame para confirmar se a morte de um homem, de 94 anos, no sábado (4), foi causada por chikungunya. Ele apresentava sintomas da doença.
Além disso, a cidade de Dourados investiga mais duas mortes por suspeita de chikungunya. Na sexta-feira (3), morreu um menino indígena de 12 anos. Nesta terça-feira (7), houve o registro da primeira suspeita de morte pela doença fora da reserva indígena — uma menina de apenas 10 anos.
Os exames são coletados no município de residência do paciente e enviados para análise no Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), em Campo Grande. Não há prazo para divulgação de resultados. Segundo o Ministério da Saúde, 51,68% dos casos prováveis em MS ainda aguardam a conclusão laboratorial.
Chikungunya mata e causa sequelas
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus da chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos. Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, que são pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos.
Sintomas:
- Febre;
- Dores musculares;
- Dor de cabeça;
- Dores intensas nas articulações;
- Manchas vermelhas pelo corpo;
- Dor atrás dos olhos;
- Dor nas costas;
- Conjuntivite não purulenta;
- Náuseas e vômitos;
- Inchaço nas articulações;
- Coceira na pele, que pode ser generalizada ou localizada nas palmas das mãos e solas dos pés;
- Diarreia e/ou dor abdominal;
- Dor de garganta;
- Calafrios.
A doença começa na fase aguda, que dura de 5 a 14 dias, e é caracterizada pela febre e pelas dores nas articulações. De 15 dias a três meses, ocorre a fase pós-aguda. Se os sintomas persistirem, o Ministério da Saúde considera que a fase crônica já está instalada. Mais da metade dos acometidos por chikungunya sofre com a dor nas articulações, que pode persistir por anos.
Como se proteger?
Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:
- Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
- Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
- Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
- Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
- Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
- Amarre bem os sacos de lixo;
- Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
- Não acumule sucata e entulho;
- Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
- Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
- Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
- Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras;
- Mantenha em dia a manutenção das piscinas.
Fonte: Jornal Midiamax

















