Mato Grosso do Sul enfrentou, em 2026, o pior cenário de chikungunya da última década, com 31 mortes e 10.367 casos confirmados da doença. Apesar da redução da transmissão nos últimos meses, a adesão à vacinação ainda é baixa. Das 64.452 doses recebidas pelo Estado, apenas 10.494 foram aplicadas, o equivalente a 16,3% do total.
A gravidade da epidemia se reflete principalmente no número de óbitos, que supera o registrado em todos os anos anteriores da última década. Em 2025, até então o ano mais grave, foram 17 mortes. Mato Grosso do Sul também concentra a maior parcela dos óbitos registrados no país — são 31 dos 53 casos contabilizados neste ano, o equivalente a 58,5% do total nacional.
Dourados concentra a maior parte dos óbitos no Estado, com 19 registros. Também foram contabilizadas mortes em Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã e Nioaque.
Os dados do Boletim Epidemiológico da SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), referentes à 35ª semana epidemiológica, apontam ainda que, dos 10.367 casos confirmados, 119 ocorreram em gestantes. Uma morte permanece em investigação.
Pouco mais de 10 mil doses foram aplicadas
Mesmo com a redução dos casos, a vacinação continua disponível nos municípios incluídos na estratégia, enquanto o Estado ainda mantém doses em estoque. Em nota, a SES informou que Mato Grosso do Sul recebeu, até o momento, 64.452 doses da vacina contra a chikungunya, sendo que o último envio de imunizantes pelo Ministério da Saúde ocorreu em junho deste ano. Desde então, 10.494 doses foram aplicadas, o equivalente a cerca de 16,3% do total recebido pelo Estado.
As doses aplicadas fazem parte da estratégia de vacinação que segue em andamento em seis municípios de MS: Sete Quedas, Amambai, Douradina, Itaporã, Dourados e Batayporã. Conforme dados do PNI (Programa Nacional de Imunizações), a aplicação dos imunizantes está distribuída da seguinte forma:
- Sete Quedas: 584 doses;
- Amambai: 1.864 doses;
- Douradina: 297 doses;
- Itaporã: 1.356 doses;
- Dourados: 5.715 doses;
- Batayporã: 678 doses.
Dourados concentra a maior quantidade de aplicações, com 5.715 doses. Segundo a SES, ainda há imunizantes disponíveis no estoque estadual para abastecer os municípios contemplados pela estratégia. As cidades também mantêm doses em suas próprias redes municipais, que podem ser utilizadas conforme as indicações estabelecidas pelo PNI.
Casos prováveis chegam a 12,1 mil
Apesar da queda na transmissão nos últimos meses, Mato Grosso do Sul acumula 12.120 casos prováveis de chikungunya em 2026 — cerca de 86% do total registrado em 2025, quando foram notificados 14,1 mil casos prováveis no Estado.
Conforme a SES, a diferença entre os casos prováveis e confirmados ocorre porque a primeira categoria inclui notificações que ainda estão em investigação ou aguardam classificação, enquanto os confirmados já passaram pela definição laboratorial ou pelos critérios epidemiológicos estabelecidos para a doença.
El Niño pode favorecer nova alta de casos

A redução dos casos ocorre após meses de sucessivas altas e uma epidemia que colocou Mato Grosso do Sul diante do pior cenário de chikungunya da última década. A entrada no período mais seco e com temperaturas mais amenas contribuiu para reduzir a transmissão a partir do segundo semestre.
O cenário, porém, pode voltar a mudar nos próximos meses. Em junho, reportagem do Jornal Midiamax mostrou que a influência do El Niño pode favorecer condições para uma nova intensificação da circulação do vírus chikungunya antes do fim deste ano.
O infectologista Júlio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), projeta que Mato Grosso do Sul registre um número elevado de casos em 2027, com maior circulação do vírus a partir de dezembro, antes do período em que normalmente aumentam os casos de arboviroses, entre janeiro e maio.
“O aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito [Aedes aegypti]. Não só chikungunya, mas dengue também deve circular com mais intensidade”, alerta o especialista.
A infectologista Andyane Tetila reforça que temperaturas elevadas aceleram o ciclo de vida do mosquito e favorecem a replicação viral. “Entretanto, o impacto final depende da combinação de diversos fatores, como volume e distribuição das chuvas, condições ambientais, saneamento e ações de controle vetorial”, pondera.
O que é a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Fonte: Jornal Midiamax
















