Um homem de 65 anos morreu após contrair chikungunya em Ponta Porã, município localizado a 313 km de Campo Grande. Esta é a primeira morte registrada pela doença na cidade e a 23ª em Mato Grosso do Sul, segundo dados do Ministério da Saúde. Com o novo registro, o Estado concentra 60,5% das 38 mortes por chikungunya contabilizadas no país em 2026.
Mato Grosso do Sul segue na liderança do ranking nacional de incidência da doença. Neste ano, já foram registrados 12.869 casos prováveis e 7.897 confirmações de chikungunya no Estado. Entre os casos confirmados, 86 ocorreram em gestantes. Outras duas mortes suspeitas seguem sob investigação.
MS lidera mortes por chikungunya
Entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e 21.282 casos prováveis de chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Assim, o registrado em 2026 já representa 95,8% dos óbitos e 61% do total de casos da última década.
Em todo o Brasil, o Ministério da Saúde registra 51.777 casos e 38 mortes em decorrência da arbovirose. Mato Grosso do Sul representa 25% dos casos e 60,5% das mortes do país — ou seja, a cada quatro pessoas doentes com chikungunya, uma é de MS, e a cada dez mortes, seis são no Estado.
A incidência em MS é de 444 casos por 100 mil habitantes — mais de 18 vezes superior à média do Brasil, de 24,3. O Estado ainda lidera o ranking nacional de incidência, com valor 4 vezes maior que o do segundo colocado.
Apesar da morte confirmada, Ponta Porã é um dos municípios com menor incidência de chikungunya em Mato Grosso do Sul. A cidade registra 52 casos prováveis, sendo 33 confirmados e outros 19 em investigação. A incidência no município é de 52,7 casos a cada 100 mil habitantes.
Expectativa de queda
A época do ano em que os casos de arboviroses, como dengue e chikungunya, aumentam vai de janeiro a maio. Assim, a expectativa é de que o número de casos caia ao longo de junho. O período mais seco e com temperaturas mais amenas geralmente contribui para reduzir a transmissão.
Mesmo assim, infectologistas alertam que a doença causa efeitos de longo prazo e que o El Niño pode intensificar a circulação do vírus antes do fim deste ano. Ou seja, cuidados de prevenção devem seguir firmes.
“A expectativa é de desaceleração gradual do número de novos casos, mas ainda podem ocorrer transmissões residuais e surtos localizados, especialmente em áreas com alta infestação do Aedes e grande quantidade de pessoas suscetíveis”, diz a infectologista Andyane Tetila.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Isso muda a circulação atmosférica global e altera o padrão de chuvas e temperaturas.
Assim, o infectologista Julio Croda espera que Mato Grosso do Sul registre alto número de casos em 2027, com maior circulação do vírus a partir de dezembro deste ano. “Aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito”, explica.
Chikungunya mata e causa sequelas
A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa dor incapacitante nas articulações, além de febre alta. A orientação principal é procurar um médico já no primeiro dia de sintomas, principalmente em caso de idosos e crianças.
“Ao menor início de febre e dor nas articulações de forma súbita, hoje, no nosso Estado, é chikungunya até que se prove o contrário”, afirma a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, que atua no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).
Geralmente, o quadro de saúde do paciente com chikungunya começa com a febre entre 38°C e 40°C e dor muito forte nas articulações — popularmente chamadas de ‘juntas’. “O início é bastante súbito, a pessoa dorme bem, mas, no meio da noite, acorda com uma dor bastante importante nas articulações”, diz a infectologista.
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, compostos por pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos. Além disso, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos.
Fonte: Jornal Midiamax
















