Dez cidades de MS entram em lista de prioridades para adaptação climática

Foto: Imagem aérea de pasto queimado contrasta com a seca dos alagados nos incêndios florestais de 2024 (Foto: Gustavo Figueiroa)..

Municípios receberão capacitação federal em 2026 para criar planos de ajuste às mudanças do clima.

Dez cidades de Mato Grosso do Sul integram a lista de 581 municípios brasileiros considerados prioritários pelo governo federal para ações de adaptação às mudanças climáticas. A medida faz parte da estratégia apresentada no documento “Política Climática por Inteiro 2025”, que faz um balanço das ações governamentais, destacando os avanços e retrocessos do ano da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática) e os desafios projetados para 2026.

Produzido pelo Instituto Talanoa, o relatório, divulgado recentemente, analisa o estado das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da crise climática no Brasil e prevê capacitação técnica e apoio direto às cidades mais vulneráveis a desastres naturais.

Entre os municípios do Estado estão Campo Grande, Ponta Porã, Coxim e Paranaíba, no bioma Cerrado;  Dourados e Caarapó, que dispõe de Mata Atlântica, e as cidades pantaneiras de Corumbá, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho.

Para a escolha foram considerados critérios que vão da vulnerabilidade a eventos extremos, como inundações e secas severas, e outros impactos climáticos que podem afetar a população e a produção econômica local.

A seleção foi feita em conjunto com governos estaduais e o Distrito Federal e envolve cidades onde vivem cerca de 53 milhões de pessoas, o equivalente a 26% da população brasileira.

A proposta prevê que, ao longo de 2026, essas cidades recebam suporte técnico para elaborar Planos Locais de Adaptação, instrumentos que devem orientar ações práticas para reduzir riscos climáticos e aumentar a capacidade de resposta diante de desastres.

Entre as principais medidas previstas está a preparação de gestores municipais, que participarão de treinamentos para identificar e compreender os riscos climáticos específicos de suas regiões. A partir desse diagnóstico, os municípios deverão desenvolver estratégias próprias de resiliência, que podem incluir melhorias em infraestrutura urbana, fortalecimento de sistemas de alerta precoce e planejamento territorial voltado à redução de riscos.

As ações fazem parte da implementação do Plano Clima – Adaptação, política nacional voltada a transformar diretrizes técnicas em medidas concretas nas cidades brasileiras, equivalente ao Plano Nacional de Adaptação brasileiro que será submetido às Nações Unidas. O plano estabelece 12 metas nacionais, desdobradas em 312 metas setoriais e 830 ações distribuídas em 16 planos de adaptação.

Entre os objetivos estão:

reduzir para 7,5% o número de municípios com insegurança hídrica no país;

atender pelo menos 4 milhões de pessoas expostas a enchentes, inundações e deslizamentos com obras de prevenção de desastres;

ampliar em 180 mil hectares a cobertura vegetal em áreas urbanas, medida voltada à redução de impactos de chuvas intensas e ondas de calor.

Saúde – Conforme o levantamento, as mudanças climáticas também trazem efeitos diretos para a saúde da população. A plataforma Adapta Brasil aponta que ondas de calor aumentam o risco de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.

A projeção indica que até 2030 cerca de 89% dos 5.570 municípios brasileiros poderão enfrentar risco alto ou muito alto de ondas de calor.

Segundo o relatório, o ano de 2025 foi dedicado à estruturação da estratégia e à definição das cidades prioritárias. Já 2026 será marcado pela implementação prática das medidas, com o objetivo de transformar conhecimento técnico em planos municipais capazes de proteger a população e reduzir impactos econômicos provocados por eventos climáticos extremos.

Fonte:  Campo Grande News

 

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