As exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos sofreram forte impacto durante o período em que o governo norte-americano aplicou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que, somados os meses de agosto a novembro, intervalo em que o tarifaço esteve em vigor, o valor exportado praticamente se iguala ao registrado apenas em dezembro, já sem a sobretaxa.
A tarifa adicional começou a valer em 6 de agosto e foi retirada em 13 de novembro. Considerando todo o período, Mato Grosso do Sul exportou aos Estados Unidos US$ 37,33 milhões em carne bovina, resultado da soma de agosto (US$ 7,6 milhões), setembro (US$ 6,26 milhões), outubro (US$ 9,13 milhões) e novembro (US$ 14,33 milhões). No entanto, parte do volume de agosto foi embarcada antes da entrada em vigor da medida, e a maioria do volume de setembro foi enviada já sem tarifa adicional.
Em dezembro, com o fim das tarifas extras, as vendas do produto ao mercado norte-americano saltaram para US$ 36,85 milhões. O valor corresponde praticamente a todo o montante exportado pelo Estado durante os quatro meses afetados pelo tarifaço, evidenciando a recuperação após a retirada da sobretaxa.
Os dados mensais mostram que setembro foi o período mais crítico, com o menor volume do ano, de US$ 6,26 milhões. Outubro manteve o patamar baixo, enquanto novembro já indicou reação, impulsionada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de encerrar a cobrança adicional na segunda quinzena do mês.
Fora do período de tarifas, o mês com menor volume de exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos foi junho, quando as vendas somaram US$ 14,61 milhões. Ainda assim, o desempenho ficou acima dos níveis registrados nos meses mais afetados pelo aumento tarifário.

À época da adoção da medida, o setor frigorífico já previa retração. Em agosto, o vice-presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de MS), Alberto Sérgio Capucci, afirmou que a queda nas exportações para os Estados Unidos era esperada.
“O número está bem abaixo em relação ao mês passado. Hoje, as exportações se mantêm em bons níveis para outros países, mas para os Estados Unidos o volume é pouco expressivo. Isso é reflexo direto do tarifaço, já esperado pelo setor”, declarou.
Mesmo com o impacto sobre o mercado norte-americano, a carne bovina sul-mato-grossense manteve fluxo consistente para outros destinos. Durante todo o período do tarifaço, a China permaneceu como principal compradora do produto e encerrou o ano como maior parceira comercial de Mato Grosso do Sul, não apenas na carne, mas também em itens como celulose e soja.
O secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), celebrou o recorde de exportações do Estado em 2025, que atingiu Us$10,7 bilhões, ressaltando principalmente que o volume expressivo se deu mesmo em um cenário com problemas relevantes.
“A gente bateu recorde de exportação em 2025, frente aos problemas que nós tivemos, principalmente em relação ao mercado americano, que estabeleceu a questão do tarifaço, sobre uma série de produtos. Iniciou com a celulose, carne, ferro, que eram os que impactavam diretamente no Mato Grosso do Sul”, destacou.
Matéria: Campo Grande News



















