Estudo clínico validado: nova pílula reduz colesterol ruim em 60%!

Foto: Estudo clínico validado: nova pílula reduz colesterol ruim em 60%!

Um amplo estudo clínico acaba de relatar o desempenho de um comprimido experimental, a enlicitida, capaz de reduzir os níveis de colesterol LDL – frequentemente chamado de colesterol ‘ruim’ – em até 60%. Este avanço aponta para uma nova estratégia para prevenir ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais.

Atualmente, menos da metade dos pacientes com doenças cardiovasculares atingem suas metas de colesterol LDL. Os tratamentos existentes, como as estatinas, nem sempre são suficientes, deixando parte da população exposta a riscos significativos. Este cenário evidencia a necessidade de desenvolver alternativas eficazes e de uso simples.

O colesterol LDL acumula-se nas paredes dos vasos sanguíneos, formando depósitos gordurosos chamados placas. Este processo, a aterosclerose, estreita as artérias e pode desencadear problemas cardíacos ou cerebrais. Há décadas, a redução desse tipo de colesterol é um objetivo para limitar esses riscos, mas as opções terapêuticas ainda são, por vezes, insuficientes.

Pesquisas fundamentais permitiram compreender melhor esse mecanismo. Há vários anos, cientistas identificaram o receptor LDL nas células do fígado, uma descoberta que rendeu um prêmio Nobel. Posteriormente, o estudo de pessoas com níveis naturalmente baixos de colesterol LDL revelou o papel da proteína PCSK9, que regula a eliminação do colesterol.

Os tratamentos atuais que visam a PCSK9, como os anticorpos monoclonais injetáveis, são muito eficazes, mas subutilizados. Sua administração por injeção pode desencorajar alguns pacientes e médicos. Esta situação explica o interesse por uma forma oral, mais simples de integrar no dia a dia.

A enlicitida funciona ligando-se à PCSK9 no sangue, de forma semelhante às injeções, mas na forma de um comprimido tomado uma vez ao dia. No ensaio clínico de fase três, envolvendo cerca de 3000 pacientes, este medicamento permitiu uma redução média de 60% no colesterol LDL em comparação com um placebo. Os participantes, já em uso de estatinas, viram seus níveis diminuírem significativamente, com efeitos mantidos por um ano.

Estes resultados, publicados no New England Journal of Medicine, indicam que a enlicitida pode se tornar uma opção importante para pessoas em risco. Os investigadores estão agora a realizar outros estudos para verificar se esta redução do colesterol se traduz em menos eventos cardiovasculares, como ataques cardíacos ou AVCs.

Créditos: Adrien BERNARD

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