O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), na Santa Casa da Capital, após sofrer complicações cardíacas. Ele tinha 60 anos e estava preso preventivamente desde 24 de março deste ano, quando matou a tiros o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini.
Bernal havia sido internado no início de julho após sofrer um infarto e passou por procedimentos para desobstrução de artérias, com implantação de stents. Depois de receber alta, retornou ao Presídio Militar de Campo Grande.
Na última sexta-feira (10), a Justiça negou um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa. Os advogados sustentaram que ele precisava permanecer em repouso domiciliar por, no mínimo, 30 dias após as cirurgias, alegando ainda que a unidade prisional não oferecia estrutura adequada para o tratamento pós-operatório.
Na noite de sábado (11), Bernal voltou a passar mal dentro do Presídio Militar e foi encaminhado novamente à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Durante a madrugada desta segunda-feira, ele foi submetido a um novo procedimento cirúrgico, mas não resistiu às complicações cardíacas.
Trajetória política
Natural de Corumbá, Alcides Bernal ganhou notoriedade como radialista antes de ingressar na política. Foi vereador por dois mandatos, deputado estadual e, em 2012, venceu a eleição para prefeito de Campo Grande, encerrando duas décadas de hegemonia do então PMDB na administração da Capital.
Sua gestão foi marcada por intensos embates políticos. Em 2014, tornou-se o primeiro prefeito da história de Campo Grande a ter o mandato cassado pela Câmara Municipal. Após uma série de decisões judiciais, conseguiu retornar ao cargo em 2015, permanecendo na Prefeitura até o fim do mandato. Em 2016, tentou a reeleição, mas não avançou ao segundo turno.
Prisão por homicídio
No dia 24 de março de 2026, Bernal foi preso em flagrante após matar o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini em uma residência no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.
Segundo as investigações, o crime ocorreu durante uma disputa envolvendo um imóvel que havia sido arrematado em leilão judicial. De acordo com a acusação, Bernal foi até o local armado e efetuou disparos contra a vítima, que morreu antes de receber atendimento médico. Após o crime, ele se apresentou à polícia e permaneceu preso preventivamente. Posteriormente, a Justiça decidiu que o ex-prefeito responderia pelo caso perante o Tribunal do Júri.


















