O governo federal vai reforçar os investimentos no acesso brasileiro à Ponte da Bioceânica e quer antecipar em mais de um ano a conclusão da obra para que o corredor internacional entre em operação o mais próximo possível do cronograma previsto pelo Paraguai. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (31) pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante agenda em Mato Grosso do Sul.
A declaração ocorreu em Aquidauana, onde o ministro entregou o lote 4 da BR-419, depois de uma agenda que já havia resultado em outros anúncios importantes para a infraestrutura estadual, como a garantia de recursos para concluir a restauração da BR-262, a futura duplicação de 105 quilômetros da rodovia entre Terenos e Aquidauana e a confirmação de que o governo pretende realizar ainda neste ano o leilão da Malha Oeste.
Mais recursos para acelerar as obras
Santoro informou que, após o desbloqueio de R$ 1 bilhão no orçamento do Ministério dos Transportes, o governo destinou R$ 80 milhões adicionais para as obras do acesso brasileiro à Ponte da Bioceânica e R$ 55 milhões para manutenção de rodovias federais em Mato Grosso do Sul.
Segundo ele, também foi firmado um acordo com a Construtora Caiapó, responsável pela obra, para ampliar os investimentos caso o cronograma seja acelerado.
“Já disponibilizamos mais R$ 80 milhões para a obra do acesso a Porto Murtinho e mais R$ 55 milhões para manutenção. Fizemos um combinado: se as obras andarem e performarem, vamos colocar mais R$ 55 milhões para concluir completamente o trecho que falta do acesso e também da BR-267”, afirmou.

Objetivo é entregar o corredor junto com o Paraguai
Em maio, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) informou ao Campo Grande News que a previsão era da conclusão do acesso brasileiro apenas para dezembro de 2027, enquanto a Ponte da Bioceânica, construída pelo Paraguai sobre o Rio Paraguai, deve ser entregue em setembro deste ano.
Além da ponte, o governo paraguaio também executa um acesso pavimentado de 3,8 quilômetros ligando a estrutura à rodovia PY-15. Segundo Santoro, a expectativa é que esse trecho esteja concluído entre março e abril do próximo ano. A intenção do governo brasileiro é fazer o mesmo do lado de cá da fronteira para que toda a ligação esteja pronta praticamente no mesmo período.
“A previsão do Paraguai é concluir os 72 quilômetros em março e abril. Se conseguirmos conciliar o lado do Paraguai com o lado do Brasil, teremos o corredor totalmente operante”, afirmou.
O ministro reconheceu que o desafio é ousado, principalmente pelas dificuldades de engenharia encontradas no lado brasileiro, mas garantiu que não faltarão recursos para acelerar os serviços.
“Ela acha que não vai conseguir entregar no primeiro trimestre, mas eu dei o desafio. Se conseguirmos chegar em março, seria o ideal. Acho difícil chegar em abril, mas se conseguirmos pelo menos até junho, teremos o corredor completo”, disse, dirigindo-se à engenheira da Caiapó responsável pela obra.
O que será construído
As obras brasileiras começaram apenas em setembro de 2024 e representam um investimento de aproximadamente R$ 500 milhões. O projeto prevê a implantação de 13,1 quilômetros de rodovia, ligando a BR-267 à Ponte da Bioceânica, além da construção de um Centro Integrado de Fronteira entre Brasil e Paraguai.
O traçado inclui um viaduto na BR-267 e seis pontes. Duas delas, sobre o Rio Amonguijá e uma vazante, já foram concluídas. Também já foram executados o canteiro de obras, as centrais de concretagem, o pátio de protensão de vigas, cercas na faixa de domínio e outras estruturas de apoio.
Já o Centro Integrado de Fronteira concentrará em um único complexo órgãos como Receita Federal, Polícia Federal, Vigiagro, Anvisa, DNIT, ANTT e PRF, além de áreas separadas para veículos leves e caminhões, reduzindo o tempo de liberação das cargas na fronteira.
Corredor estratégico

Para Santoro, a combinação entre a conclusão da BR-419, a recuperação da BR-267, o acesso à Ponte da Bioceânica e a futura relicitação da Malha Oeste transformará Mato Grosso do Sul em um dos principais centros logísticos do País.
“O governo federal vê Mato Grosso do Sul como a porta de entrada do Brasil para a América Latina. Esse corredor via Porto Murtinho é fundamental para desenvolver o comércio com os demais países, acessar a Rota Bioceânica, chegar ao Porto de Antofagasta e atrair novas indústrias para o Estado”, afirmou.
A Ponte da Bioceânica integra o Corredor Bioceânico de Capricórnio, também chamado de RILA (Rota da Integração Latino-Americana), um eixo logístico de mais de 3,2 mil quilômetros que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por rodovias atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho será a porta de entrada do corredor em território brasileiro, conectando a produção nacional aos portos chilenos, especialmente o de Antofagasta, no Pacífico.
Segundo um estudo da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), o corredor poderá encurtar em mais de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras para a Ásia e reduzir em cerca de 23% o tempo de viagem até a China, o equivalente a aproximadamente 12 dias.
Além de ampliar a competitividade do comércio exterior e aproximar a produção sul-americana dos portos do Pacífico e dos mercados asiáticos, a rota deverá estimular a integração econômica entre os quatro países, atrair investimentos e fortalecer o intercâmbio turístico e cultural ao longo de todo o corredor.
Matéria: Campo Grande News















