A mãe de uma jovem assassinada em Três Lagoas (MS) e o companheiro dela, condenado por chefiar um setor do Primeiro Comando da Capital (PCC), são suspeitos de promover uma espécie de “tribunal do crime” contra duas adolescentes de 13 anos por vingança. Presos, os investigados são Vanessa Afonso dos Santos e Diógenes Costa Davi, de 48 anos, conhecido como “Dil”.
Sequestro, ameaças de morte e vingança
Segundo a Polícia Civil, as meninas foram sequestradas cerca de um mês depois da morte e mantidas amarradas e ameaçadas de morte em uma vingança pela morte da filha da mulher, que ocorreu cerca de um mês antes, durante uma série de ataques atribuídos ao Comando Vermelho (CV).
,Vanessa teria mandado sequestrar as adolescentes. O objetivo era descobrir quem ajudou os assassinos a localizar a filha dela, Kailayne Mirela Esperidião, de 19 anos.
Durante o sequestro, os criminosos ameaçaram arrancar os corações das meninas e entregá-los a Vanessa. Diógenes teria passado um facão pelo pescoço de uma das adolescentes e ameaçado levar as cabeças das duas à companheira. Os relatos das vítimas fazem parte da investigação da Polícia Civil.
Série de assassinatos
Segundo a Polícia Civil, integrantes do CV vieram de outras cidades para matar pessoas ligadas ao PCC e ampliar o controle do tráfico de drogas em Três Lagoas.
A investigação reúne ataques cometidos em quatro dias:
- 30 de abril: um homem foi alvo de tentativa de homicídio.
- 2 de maio: outro homem sofreu um atentado. No mesmo dia, Pedro Augusto Otaviano dos Santos foi assassinado, e uma segunda pessoa foi alvo de tentativa de homicídio.
- 3 de maio: Kailayne e o namorado, Gabriel dos Santos Souza, de 18 anos, foram baleados perto da Lagoa Maior.
No ataque ao casal, dois homens chegaram em uma motocicleta vermelha e atiraram contra as vítimas, que estavam próximas a uma barraca de lanches. Kailayne morreu no local. Gabriel foi socorrido, mas morreu dois dias depois no hospital.
Uma terceira pessoa também foi alvo do atirador, que apontou a arma e puxou o gatilho em sua direção, mas não conseguiu atingi-la.
A Polícia Civil identificou os executores dos atentados. Um deles foi preso em 4 de maio, com uma pistola de calibre 9 milímetros. Outro suspeito também foi preso posteriormente em Rondonópolis (MT).
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Ordens para matar
Mensagens encontradas no celular de um dos investigados revelaram como os ataques eram planejados. Segundo a Polícia Civil, integrantes do CV enviavam dinheiro, fotografias e localizações das vítimas, além de cobrar a execução dos crimes, chamados de “missões” pelo grupo.
No assassinato de Kailayne e Gabriel, mensagens mostram que os criminosos localizaram o casal na Lagoa Maior e receberam ordem para matar os dois. As conversas também indicavam qual atirador deveria atingir cada vítima.
Para a polícia, os registros mostram que os crimes foram planejados como parte da disputa entre as facções. Kailayne era enteada de Diógenes e sobrinha de outro integrante do PCC, conforme o relatório policial.
Adolescentes sequestradas por vingança
Após o assassinato da filha, de acordo com a investigação, Vanessa passou a procurar quem poderia ter informado ao CV onde Kailayne estava. A suspeita surgiu porque os atiradores eram de outras cidades e não conheciam as vítimas.
Duas adolescentes de 13 anos foram apontadas como possíveis informantes da facção rival. Segundo os depoimentos citados na decisão judicial, um homem conhecido das meninas as convidou para um encontro. Ao chegarem ao local, elas foram rendidas por um homem armado e levadas para um imóvel.
As adolescentes ficaram amarradas por vários dias e foram pressionadas a confessar participação no assassinato. Durante os interrogatórios, integrantes do PCC fizeram ameaças com armas de fogo e um facão. Outras pessoas também teriam participado por telefone.
Um dos sequestradores afirmou que agia a mando de Vanessa. As meninas relataram ainda que Diógenes esteve no local, passou um facão pelo pescoço de uma delas e ameaçou levar as cabeças das duas à companheira.
Segundo a Polícia Civil, as adolescentes foram libertas depois que os sequestradores não encontraram provas de que elas haviam ajudado os assassinos.
Prisão do casal
A Polícia Civil identificou Vanessa, Diógenes e um terceiro homem como suspeitos do sequestro. Durante a Operação Janus, em 9 de julho, o casal foi preso. O terceiro investigado não foi encontrado naquela ocasião.
Os policiais apreenderam três celulares com Diógenes e um com Vanessa. A análise dos aparelhos dele não encontrou provas diretas de participação no sequestro. A investigação, no entanto, reuniu depoimentos e outros elementos que sustentaram as suspeitas contra o casal.
Condenação por chefiar setor do PCC
Diógenes já havia sido condenado por integrar o PCC e chefiar um setor da facção conhecido como “Geral do Progresso”, responsável por atividades relacionadas ao tráfico de drogas, dinheiro e armas.
Em fevereiro de 2022, ele recebeu uma pena de 9 anos e 11 meses de prisão por organização criminosa e associação para o tráfico. A condenação se tornou definitiva em novembro de 2024.
Registros de janeiro de 2025 indicam que Diógenes estava preso na Penitenciária Estadual Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande. Os documentos consultados não esclarecem quando ele deixou a unidade nem sua situação prisional atual.

















