Mato Grosso do Sul confirma 18ª morte por Chikungunya e índice ultrapassa total de 2025

Um menino indígena de 12 anos morreu de Chikungunya no dia 3 de abril, em Dourados. Confirmada nesta quarta-feira (20) pelo relatório epidemiológico diário do município, esta é a 18ª morte pela doença em Mato Grosso do Sul em 2026, ultrapassando o número total registrado entre janeiro e dezembro do ano passado.

De acordo com o informativo, os sintomas da criança iniciaram no dia 28 de fevereiro, quando foi internada no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Durados). O menino não possuía comorbidades.

Com essa nova ocorrência, o índice de mortes em Dourados sobre para 12 —  dez delas envolvendo pessoas indígenas vítimas de complicações da chikungunya. Além disso, entre segunda (18) e terça-feira (19), dois novos óbitos passaram a ser investigados no município: uma mulher de 74 anos e um homem de 71 anos, ambos não indígenas.

Nesta quarta-feira (20), o panorama geral de chikungunya em Dourados inclui 4.066 casos confirmados e outros 1.088 em investigação. Já na reserva indígena, o cenário epidemiológico indica 2.139 casos confirmados e 295 casos em investigação.

Chikungunya em MS

A incidência de chikungunya em Mato Grosso do Sul chega a 417,9 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado muito alto. Conforme o boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde), divulgado na última terça-feira (19) o estado soma 11.521 casos prováveis.

Entre os municípios, Douradina concentra a maior incidência entre os casos prováveis, com 1559,7. Na sequência, aparecem Angélica, Batayporã, Corumbá, Amambai, Jardim, Nioaque e Sete Quedas, todos com classificação ‘alta’.

Apenas Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã não registraram casos de chikungunya neste ano. Campo Grande tem 25 casos prováveis, com incidência de 2,8. Tratando-se dos óbitos em MS, os registros ocorreram nos municípios de Dourados (12), Bonito (2), Jardim (2), Fátima do Sul (1) e Douradina (1).

Liderança no país

De acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência do país. Atrás de MS, estão: Goiás (133,6), Minas Gerais (54,6), Rondônia (43,8), Mato Grosso (23,8), Tocantins (18,6) e Rio Grande do Norte (16,2).

Além disso, em 2026, o Brasil registrou 26 óbitos por chikungunya. Assim, as mortes registradas no estado representam, em média, 69,23% do total em todo o país.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Como me proteger?

Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:

  • Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
  • Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
  • Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
  • Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
  • Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
  • Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
  • Amarre bem os sacos de lixo;
  • Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
  • Não acumule sucata e entulho;
  • Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
  • Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
  • Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
  • Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras.

 

Fonte: Jornal Midiamax

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