O calendário marca 1º de abril, mas os números que encerram o mês de março em Mato Grosso do Sul não permitem celebrações. O período que deveria ser de reflexão à vida de mulheres termina com crimes que ocorreram em diferentes municípios no interior do Estado. Quatro mulheres, com planos e famílias, tiveram a vida interrompida brutalmente dentro de casa.
Somente em março, o número de feminicídios em Mato Grosso do Sul aumentou em 100% na comparação com o mesmo período de 2025. Se no ano passado o Estado registrou duas mortes em março, em 2026 o total saltou para quatro vítimas. No primeiro trimestre, MS já contabiliza oito vidas ceifadas.
Das oito vítimas do ano, todas residiam em cidades do interior. O mês que deveria celebrar as mulheres terminou com famílias enlutadas nas cidades de Ponta Porã, Anastácio, Paranhos e Selvíria.
Liliane de Souza Bonfim Duarte

Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, foi a primeira vítima do mês. Ela foi agredida com golpes de marreta pelo marido, um subtenente do Corpo de Bombeiros, em Ponta Porã. Liliane ficou internada por dias, mas teve a morte encefálica confirmada no dia 6 de março. O autor foi preso em flagrante após ser visto correndo pelas ruas com duas facas. Os filhos do casal presenciaram a agressão e pediram socorro na rua.
Leise Aparecida Cruz

No mesmo dia, em Anastácio, Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta dentro da própria residência. O marido, de 51 anos, alegou inicialmente que a esposa havia cometido suicídio devido a uma depressão. No entanto, as investigações avançaram e ele confessou o crime no dia seguinte, afirmando ter asfixiado a vítima.
Ereni Benites

Já no dia 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a indígena Kaiowá Ereni Benites, de 44 anos, foi encontrada carbonizada em Paranhos. O corpo estava dentro da aldeia Tekoha Paraguassu. O suspeito é o ex-marido dela, de 52 anos, que foi preso em flagrante pela Polícia Civil.
Fátima Aparecida da Silva

O último caso registrado no mês aconteceu em Selvíria, no dia 23 de março. Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, foi assassinada, e o principal suspeito é o próprio sobrinho, conhecido como “Maurição”. Ele foi localizado pela Polícia Militar sujo de sangue, próximo a um córrego, onde tentava se lavar.
Primeiro trimestre de 2026
A violência registrada em março é a continuidade de um início de ano marcado pelo luto no interior. Antes das ocorrências do terceiro mês do ano, o Estado já havia registrado quatro feminicídios entre janeiro e fevereiro.
As vítimas foram Josefa dos Santos (Bela Vista), morta em 16 de janeiro; Rosana Candia Ohara (Corumbá), assassinada em 24 de janeiro; Nilza de Almeida Lima (Coxim), em 22 de fevereiro; e Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas), no dia 25 de fevereiro.
Conforme os registros policiais, em quase todos os casos, os autores eram pessoas do convívio íntimo das vítimas. As agressões aconteceram, em sua maioria, dentro de casa, utilizando desde armas brancas, força física, até o uso do fogo.
Feminicídio
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição do sexo feminino. A legislação brasileira, em vigor desde 2015, caracteriza o crime quando há violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição de mulher.
A tipificação do crime busca diferenciar esses assassinatos de homicídios comuns.
Fonte: Jornal Midiamax

















