O Ministério da Saúde confirmou mais uma morte por chikungunya em Mato Grosso do Sul. Assim, sobe para quatro o número de óbitos causados pela doença no Estado em 2026. Todas as vítimas são de Dourados, onde comunidades indígenas vivem epidemia da arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti.
A quarta morte, conforme a Secretaria de Saúde de Dourados, é de uma mulher de 60 anos, com comorbidades. Ela morreu na quinta-feira (12). Uma semana antes, um bebê de apenas três meses também morreu de chikungunya na cidade. As outras vítimas são idosos de 69 e 73 anos.
Todos são moradores da mesma Reserva Indígena de Dourados, a maior reserva urbana do Brasil, com cerca de 3,5 mil hectares e mais de 15 mil habitantes. O bebê morava na Aldeia Bororó, e os demais, na Aldeia Jaguapiru. A Capital, Campo Grande, não registra casos suspeitos da doença.
Em Aquidauana, mais uma morte é investigada, sob suspeita de chikungunya. A vítima também é uma mulher indígena. O Jornal Midiamax questionou a SES (Secretaria Estadual de Saúde) sobre qual o entrave para a confirmação ou o descarte da causa desta morte, ocorrida na segunda semana de 2026, conforme o painel de arboviroses do Ministério da Saúde. A reportagem aguarda resposta.
Casos aumentam em quase 8%
Em apenas dez dias — entre 7 e 17 de março —, o número de casos prováveis subiu 7,89% em Mato Grosso do Sul. Eram 2.446 registros, e o número saltou para 2.639. O Estado segue liderando a incidência nacional de chikungunya, com 90,2 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. No Brasil, a incidência é de apenas 7,8.
A escalada de casos começou no ano passado, quando Mato Grosso do Sul teve a segunda maior incidência do país e registrou 17 mortes por chikungunya. O Estado fechou 2025 com 14.096 casos prováveis da doença, seis vezes mais que em 2024 e o dobro da soma dos últimos dez anos.
O Brasil tem 16.558 casos prováveis de chikungunya. São 10 mortes confirmadas no país, ou seja, 40% dos óbitos são em MS. Mato Grosso (2), Rondônia (1), Minas Gerais (1) e São Paulo (1) também registram mortes neste ano.
Força-tarefa do ministério
O Ministério da Saúde realiza uma força-tarefa de combate à chikungunya em aldeias de Dourados nesta semana.
Entre segunda (9) e quarta-feira (11), equipes da Secretaria Municipal de Saúde fizeram tratamento químico em 1.156 casas. Agentes de endemia encontraram focos do mosquito em 589 moradias; ou seja, 26% do total de visitas. A maioria das larvas estava em caixas d’água, lixo e pneus.
Na ocasião, a Prefeitura de Dourados publicou nota dizendo que o combate ao mosquito e a atenção de saúde nas aldeias são atribuições do Governo Federal. “O governo federal falha na atenção primária e na prevenção nas aldeias, isso é fato, mas a população precisa cooperar”, disse o secretário de Saúde, Márcio Figueiredo.
Já o Ministério da Saúde afirma que está monitorando os casos de chikungunya na reserva indígena de Dourados. “O Distrito Sanitário Especial Indígena Mato Grosso do Sul promove a instalação de ovitrampas (armadilhas para captura de ovos de Aedes aegypti) na região e realiza estratégias de educação em saúde, por meio dos agentes indígenas de saneamento”, afirma a pasta, em nota.
O que é chikungunya?
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo vírus CHIKV, por meio da picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti infectadas. Diversos sintomas são atribuídos à doença e, de forma geral, são bem parecidos com outro quadro causado pelo mesmo agente transmissor, a dengue.
No entanto, a duração da febre e das dores, especialmente nas articulações, diferentemente da dengue, que é passageira, pode ser de mais de 15 dias com a chikungunya, além de os sintomas serem incapacitantes. E, pior: em mais de 50% dos casos, essa artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos, conforme o Ministério da Saúde.
Ainda, o vírus pode causar consequências cardiovasculares, na pele, nos rins e no sistema nervoso, como doença neuroinvasiva, caracterizada por agravos neurológicos, tais como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Como se proteger
As orientações são semelhantes às de combate à dengue. Confira dicas:
- Mantenha a caixa d’água vedada;
- Remova folhas e galhos das calhas;
- Não deixe água acumulada sobre a laje;
- Lave semanalmente os tanques para armazenar água;
- Mantenha tampados os barris d’água;
- Encha de areia até a borda os pratinhos dos vasos de planta;
- Troque a água e lave o vaso de plantas aquáticas;
- Guarde garrafas sempre de cabeça para baixo;
- Entregue os pneus velhos a um local que lhes dê uma boa guarda — em local coberto, abrigados da chuva;
- Coloque o lixo em sacos plásticos, mantenha a lixeira vedada e não descarte lixo em locais inadequados.
Fonte: Jornal Midiamax

















