Lançado em 2024, o programa ‘Voa Brasil’, que prometia a venda de 3 milhões de passagens aéreas a R$ 200 para aposentados em 12 meses, entregou apenas 52 mil bilhetes, representando 1,7% da meta inicial.
O projeto foi estruturado sem a necessidade de subsídios públicos e sem custos para as companhias aéreas, mas dependia exclusivamente da disponibilidade das empresas, que seriam responsáveis por disponibilizar assentos ociosos, aqueles não vendidos devido à falta de demanda. O Ministério de Portos e Aeroportos, responsável pelo programa, afirmou ao jornal Estado de São Paulo não saber quantas passagens efetivamente foram oferecidas, uma vez que a adesão depende da ociosidade dos voos.
De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), aproximadamente 30 milhões de assentos ficaram vagos em voos nacionais durante os 17 meses de operação do programa, o que poderia indicar um grande potencial não aproveitado para a iniciativa.
O ‘Voa Brasil’ foi uma das promessas de democratização do acesso à aviação, feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022. Inicialmente, o governo estimava que 23 milhões de pessoas seriam elegíveis para a primeira fase do programa, e uma segunda fase incluiria estudantes de instituições públicas, mas essa etapa não foi lançada.
O ministro Silvio Costa Filho, ao iniciar as vendas do programa, chegou a afirmar que a proposta beneficiaria “mais de 1,5 milhão de turistas que nunca viajaram de avião”, mas, até agora, as vendas não chegaram nem perto dessa expectativa. Com menos de 60 mil passagens vendidas em 17 meses, estima-se que o número de beneficiários não ultrapasse 30 mil pessoas, considerando que cada aposentado tem direito a dois bilhetes por ano.
O MPor justificou o baixo desempenho do programa alegando que a adesão depende de “múltiplos fatores”, como o conhecimento do público-alvo sobre a iniciativa e a familiaridade com os serviços digitais. No entanto, a falta de uma segunda etapa do programa, que incluiria estudantes e poderia ampliar o alcance, levanta questionamentos sobre a real eficácia da estratégia.
As empresas aéreas como Azul, Gol e Latam afirmaram colaborar com o programa e reiteraram a intenção de trabalhar com o governo para melhorar a iniciativa e ampliar o acesso ao transporte aéreo no Brasil.
Matéria: Campo Grande News


















