Quarto paciente de MS é operado com polilaminina e pode ter movimentos de volta

O quarto paciente sul-mato-grossense recebeu aplicação de polilaminina nesta quarta-feira (25). A proteína está em fase de testes na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e apresenta resultados promissores no tratamento de lesões na medula, o que pode devolver movimentos a pessoas paraplégicas.

O procedimento foi realizado com autorização judicial, para uso compassivo. Ou seja, quando não há outro tratamento disponível para determinada questão de saúde. O aval da Anvisa só foi comunicado à família do paciente na tarde de terça-feira (24), e a cirurgia iniciou-se às 6h desta quarta-feira.

A cirurgia foi bem-sucedida e realizada pelos médicos Antônio Martins e Wolnei Zeviani, no hospital particular Proncor. O diretor da unidade de saúde, médico Bruno Alexandre, também participou do procedimento.

Na segunda-feira (23), outros dois sul-mato-grossenses passaram por cirurgia com polilaminina. Em Campo Grande, foram operados Maria José Gonçalves, de 64 anos, e Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos, morador de Sidrolândia. As cirurgias, também realizadas no Hospital Proncor, foram bem-sucedidas.

A primeira cirurgia deste tipo no Estado ocorreu em 21 de janeiro e foi considerada “um sucesso” pela equipe médica. O paciente, militar de 19 anos, que ficou tetraplégico após um disparo acidental de arma de fogo, relata melhoras e já sente reflexo de movimentos nas mãos.

Polilaminina

A medicação é aplicada em dose única, dentro da medula. Ela tem efeito anti-inflamatório, o que diminui a morte dos neurônios; e cria maneiras para o religamento dos neurônios, que precisam ‘apreender o caminho’ para mandar a conexão nervosa até os membros. “Para isso, é necessário o estímulo, com uma fisioterapia específica, que estimula a regeneração do neurônio de forma efetiva”, explica o médico pesquisador Olavo Franco, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Não há garantia de que o paciente vai voltar a andar, mas há alta probabilidade de — ao menos — um retorno do movimento dos membros, o qual poderá oferecer uma qualidade de vida maior para o paciente.

“Em todos os casos, houve melhora. Por exemplo, uma pessoa tetraplégica que precisa de ajuda para se alimentar, mas passa a conseguir pelo menos levar o alimento à boca, já tem um ganho grande”, afirma o neurocirurgião Bruno Cortez, do hospital carioca Souza Aguiar.

Não há um prazo pra ter resultado, mas, no caso mais famoso do estudo — do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um acidente de carro em 2018 e teve uma lesão cervical grave —, o paciente mexeu os dedos do pé após três semanas, deu um passo após sete meses e passou a caminhar após um ano e meio. Agora, Bruno tem 98% dos movimentos de volta e corre até maratonas.

 

Fonte: Jornal Midiamax

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