Tomar sol ou usar mascara previne contra o Covid-19? Mitos e verdades sobre o novo coronavírus

Circula pelas redes sociais um texto com várias informações sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Esse post recomenda evitar beber água gelada e informa que é importante se expor “ao máximo possível ao sol”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

“Importante: Evite beber água gelada ou chupar gelo ou neve para aqueles que estão nas montanhas, principalmente crianças”
Texto de post no Facebook que, até as 16 horas de 17 de março de 2020, tinha 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

O infectologista Paulo Santos, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), informou à Lupa que não há “evidência científica que contraindique a ingestão de líquidos gelados.” O médico afirma que o líquido gelado pode gerar desconforto na garganta para pessoas que estejam resfriadas. Contudo, isso não piora a doença. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por sua vez, classificou como falso esse trecho do texto que circula pelas redes sociais.

Em outra parte do post, é recomendado beber água ou líquidos quentes para matar o vírus. Entretanto, a Lupa já desmentiu essa informação. O novo coronavírus não é morto em temperaturas de 26 ou 27 graus. Apenas temperaturas entre 30 e 40 graus conseguem reduzir significativamente a permanência do SARS-CoV-2 no ambiente.

“Para quem pode, é importante expor-se o máximo possível ao sol, de acordo com as condições climáticas”
Texto de post no Facebook que, até as 16 horas de 17 de março de 2020, tinha 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

O infectologista Paulo Santos, da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que se expor ao sol não é uma forma de prevenção contra o novo coronavírus. A recomendação dada pelo médico – e reforçada por autoridades de saúde – é permanecer em repouso e ficar dentro de casa. “Para uma pessoa doente, o sol em demasia tem efeito contrário e representa um stress para o organismo. Em caso sensação de falta de ar ou percepção de agravamento dos sintomas, a pessoa doente deve procurar assistência médica”, explicou.

Pelas evidências disponíveis até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o novo coronavírus pode ser transmitido em todos os tipos de climas, quentes ou frios. Por essa razão, independentemente das condições climáticas, a entidade recomenda que a população adote medidas de prevenção, como lavar frequentemente as mãos.

“O Coronavírus é bastante grande, tem um diâmetro de cerca de 400 a 500 nanômetros. Isso significa que qualquer tipo de máscara pode pará-lo. Na vida normal, portanto, não é necessário ter máscaras especiais”
Texto de post no Facebook que, até as 16 horas de 17 de março de 2020, tinha 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

A Fiocruz classificou como falsa a informação que diz que o novo coronavírus tem um diâmetro grande – de 400 a 500 nanômetros – e que, por esse motivo, qualquer máscara impede sua entrada no organismo. Por telefone, a fundação informou que os pesquisadores sabem que o vírus é menor do que o citado no texto que circula pelas redes sociais. Um relatório publicado no “The New England Journal of Medicine” em fevereiro deste ano por pesquisadores chineses apontou que o diâmetro do novo coronavírus varia entre 60 nanômetros e 140 nanômetros.

Quanto ao uso das máscaras cirúrgicas, o infectologista Paulo Santos, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que ele deve ser feito, em conjunto a outras medidas de prevenção para evitar o contágio. O especialista afirma que as gotículas respiratórias, uma das formas de transmissão do vírus, são grandes o suficiente para serem retidas nas máscaras cirúrgicas, evitando a transmissão.

A OMS recomenda o uso de máscara apenas para pessoas que estejam tossindo ou espirrando, ou seja, que tenham sintomas da Covid-19. Caso o indivíduo não apresente os sintomas, só é necessário utilizar a máscara cirúrgica caso esteja atendendo uma pessoa contaminada ou suspeita de estar com o vírus. A entidade destaca ainda que a máscara só é eficiente quando utilizada junto com uma boa higienização das mãos.

“(…) o vírus pode viver escondido em roupas e tecidos por cerca de 6 a 12 horas”
Texto de post no Facebook que, até as 16 horas de 17 de março de 2020, tinha 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

Ainda não se sabe o tempo certo que o novo coronavírus sobrevive fora do organismo. Mas uma revisão de 22 estudos sobre essa família de vírus mostra que é comum a permanência em ambiente externo por várias horas ou dias, dependendo do material e da temperatura ambiente. O infectologista Paulo Santos, da Sociedade Brasileira de Infectologia, confirma que o vírus sobrevive “várias horas, às vezes dias, em qualquer tipo de superfície”, embora não seja possível estabelecer o tempo exato da vida desse vírus fora do corpo. Por essa razão, a recomendação das autoridades de saúde, como o Ministério da Saúde e a OMS, é lavar as mãos com água e sabão, não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar tocar os olhos, o nariz e a boca sem que as mãos estejam devidamente higienizadas.


“Detergentes normais podem destruí-lo”
Texto de post no Facebook que, até as 16 horas de 17 de março de 2020, tinha 1,5 mil compartilhamentos

VERDADEIRO

O infectologista Paulo Santos, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que detergentes e desinfetantes de uso geral são eficientes na limpeza de ambientes domésticos. Uma das maiores formas de prevenção do novo coronavírus é a lavagem das mãos com água e sabão. Como a reportagem já informou anteriormente, o novo coronavírus é revestido com uma camada de gordura que se dissolve em contato com sabão ou álcool gel, causando a morte do vírus. Contudo, o infectologista ressalta que, em ambiente hospitalares, são necessários materiais diferentes de limpeza para higienizar e prevenir o contágio.

Fonte: Agência Lupa

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