A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o início dos testes em humanos da primeira vacina desenvolvida no Brasil contra a malária. O imunizante, chamado Vivaxin, será aplicado inicialmente em 48 voluntários para avaliar sua segurança e a capacidade de estimular a resposta do sistema imunológico.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (7), mas divulgada pela agência nesta terça-feira (13). A vacina é desenvolvida pelo CTVacinas (Centro de Tecnologia de Vacinas), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), com apoio do governo federal.
Nesta primeira etapa, os pesquisadores vão acompanhar possíveis reações nos primeiros 14 e 28 dias após a aplicação, além de monitorar os participantes durante todo o estudo. A pesquisa será realizada com adultos saudáveis, de 18 a 59 anos, que nunca tiveram malária.
Os testes serão conduzidos pelo Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, responsável pelo recrutamento dos voluntários. O estudo será duplo-cego e controlado por placebo, modelo em que nem os participantes, nem os pesquisadores responsáveis pela avaliação sabem quem recebeu a vacina ou a substância sem efeito imunizante.
Se os resultados forem positivos, a Vivaxin poderá avançar para as fases 2 e 3, que envolvem novos testes para avaliar a segurança e a eficácia do produto em grupos maiores. Somente depois dessas etapas poderá ser solicitado o registro à Anvisa para eventual utilização na população.
Como funciona a vacina
A Vivaxin utiliza uma proteína produzida em laboratório para estimular o sistema imunológico a reconhecer o parasita causador da malária. A fórmula também contém uma substância que potencializa a resposta imunológica.
O imunizante foi desenvolvido para combater o Plasmodium vivax, uma das espécies de parasitas responsáveis pela doença. A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), foram estimados 9,9 milhões de casos de malária causados pelo P. vivax no mundo em 2024. Nas Américas, essa espécie respondeu por 63,1% dos casos estimados da doença naquele ano. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025.
A vacina brasileira ainda está em fase experimental e não tem previsão de disponibilidade para a população. A autorização da Anvisa permite apenas o início dos estudos clínicos, sem representar aprovação para comercialização ou uso em larga escala.
Matéria: Campo Grande News
















