Após 137 reações e suspensão da vacina, MS monitora mais de 7 mil imunizados contra a dengue

A suspensão preventiva da vacina contra a dengue Butantan-DV acendeu um alerta em Mato Grosso do Sul sobre as reações adversas registradas após a aplicação do imunizante. Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde) apontam que, de 7.333 vacinados no Estado, 137 apresentaram reações adversas não graves. Em Campo Grande, onde 1.033 doses foram aplicadas, houve 56 registros. A suspensão ocorreu em 8 de junho após o país registrar 42 reações graves.

Apesar dos números, as autoridades de saúde afirmam que os casos relatados até o momento não apresentaram reações graves. Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), as notificações envolvem sintomas considerados comuns em campanhas de vacinação, como dor e vermelhidão no local da aplicação, além de mal-estar leve no dia seguinte à imunização.

Já a SES (Secretaria de Estado de Saúde) esclarece que o monitoramento dos vacinados segue os mesmos procedimentos adotados para qualquer imunizante ofertado pelo PNI (Programa Nacional de Imunização). Os eventos adversos pós-vacinação podem ser notificados por meio da plataforma e-SUS Notifica e são classificados conforme a gravidade dos sintomas. Após o registro, os casos passam a ser acompanhados pelas equipes de vigilância em saúde.

No caso específico da Butantan-DV, a observação dos vacinados ocorre durante os 21 dias seguintes à aplicação da dose, período considerado fundamental para identificação de possíveis eventos adversos relacionados ao imunizante.

Suspensão da vacina afetou enfrentamento à dengue?

A suspensão preventiva da vacina Butantan-DV ocorre em um momento de alerta para a dengue em Mato Grosso do Sul. Somente neste ano, o Estado já registrou 1.275 casos confirmados da doença, além de duas mortes, que seguem em investigação. Apesar do cenário, as autoridades de saúde afirmam que a medida não altera as estratégias já adotadas para conter a circulação do vírus.

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação contra a dengue segue com a QDenga, imunizante produzido pelo laboratório japonês Takeda e destinado a adolescentes de 10 a 14 anos. Dados da SES apontam que o Estado recebeu 241.030 doses da vacina e já aplicou 223.322. Desse total, 147.123 correspondem à primeira dose (D1) e 88.420 à segunda dose (D2). A cobertura vacinal alcança 73,79% para a primeira aplicação e 44,34% para a segunda. Entre o público-alvo, foram administradas 201.349 doses.

Segundo a SES, o combate à dengue segue concentrado em ações de vigilância epidemiológica, controle do mosquito Aedes aegypti, assistência aos pacientes e mobilização da população para eliminação de criadouros.

Em Campo Grande, a Sesau informou que manterá o reforço das estratégias de prevenção e controle das arboviroses. As ações incluem educação em saúde, monitoramento epidemiológico e combate aos focos do vetor.

A avaliação das autoridades é que, embora a suspensão da Butantan-DV represente um obstáculo para a ampliação futura da cobertura vacinal, o enfrentamento da dengue continua sustentado pelas medidas de controle do mosquito, pela vigilância dos casos e pela vacinação com a QDenga.

Grupo de trabalho analisa riscos da Butantan-DV

Na terça-feira (16), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) instituiu um grupo de trabalho para aprofundar a análise da segurança da vacina Butantan-DV. A medida faz parte do processo de avaliação do risco-benefício do imunizante com base em evidências científicas atualizadas.

Conforme a agência, o grupo terá a função de reunir e analisar informações relacionadas aos pacientes vacinados, ao cenário epidemiológico da dengue e aos dados de segurança da vacina. Entre as atribuições, estão a coordenação das discussões técnicas, a consolidação de evidências científicas e a elaboração de subsídios para futuras decisões regulatórias.

A equipe será composta por representantes de diferentes áreas técnicas da Anvisa, incluindo os setores de produtos biológicos, monitoramento de produtos e inspeção sanitária. Também está prevista a participação de integrantes do PNI, do Ministério da Saúde.

Segundo a resolução, o grupo terá prazo de funcionamento indeterminado e poderá permanecer em atividade enquanto houver necessidade de acompanhamento e avaliação da segurança da Butantan-DV.

Vacina suspensa

A Butantan-DV foi suspensa após a identificação de 42 reações adversas em pessoas vacinadas em diferentes regiões do país. Entre os casos, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes, que ainda estão sob investigação para verificar uma possível relação com a vacina.

De acordo com o Ministério da Saúde, os eventos identificados representam cerca de 0,008% das aproximadamente 500 mil doses da Butantan-DV aplicadas no país até 30 de maio. Até o momento, não há comprovação de relação causal entre os casos registrados e a vacina.

A secretaria reforça que o acompanhamento de eventos adversos é uma prática rotineira dos programas de imunização e integra as ações permanentes de vigilância para garantir a segurança e a qualidade das vacinas ofertadas à população.

Tomei a vacina, e agora?

Vacina contra a dengue. (Arquivo Jornal Midiamax e Reprodução)

Para quem recebeu a vacina contra a dengue Butantan-DV antes da suspensão temporária determinada pelo Ministério da Saúde, especialistas afirmam que não há motivo para pânico.

A SES orienta que os vacinados observem seu estado de saúde durante os 21 dias após a aplicação e procurem atendimento médico imediatamente caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piorado estado geral.

A médica infectologista do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), Andyane Tetila, reforça que as pessoas que receberam o imunizante antes da suspensão devem permanecer tranquilas, mas atentas a possíveis sinais de alerta nas próximas semanas.

“Para quem já recebeu o imunizante, a orientação é manter a tranquilidade, observar o estado de saúde nos 21 dias após a aplicação e procurar atendimento médico imediatamente caso apresente algum dos sintomas de alerta”, destaca a infectologista

 

Fonte: Jornal Midiamax

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