Mato Grosso do Sul registra 12.739 casos prováveis de chikungunya neste ano, segundo o Ministério da Saúde. O número é equivalente a toda a população de Porto Murtinho, município a 454 quilômetros de Campo Grande. Além disso, os casos são maiores que o total de habitantes de outras 34 cidades do Estado.
Com relação à população total do Estado, 0,43% dos 2,9 milhões de sul-mato-grossenses contraiu o vírus chikungunya em menos de cinco meses de 2026. A doença já contaminou habitantes de 77 dos 79 municípios do Estado. Apenas Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã não têm registros de chikungunya neste ano.

Os 12,7 mil casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul correspondem a 27,6% do total nacional (46 mil). A incidência em MS é de 435,6 casos por 100 mil habitantes — mais de 20 vezes superior à média do Brasil, de 21,6.
Recorde de mortes
Em todo o Brasil, 27 pessoas morreram de chikungunya em 2026. Assim, Mato Grosso do Sul concentra 70,4% das mortes pela doença no país (19 óbitos neste ano). As outras foram registradas em Goiás (2), São Paulo (2), Rondônia (1), Mato Grosso (1), Bahia (1) e Minas Gerais (1).
O Estado registrou 24 mortes por chikungunya nos últimos dez anos — 17 em 2025, uma no ano anterior e três em 2023 e 2018. Ou seja, em menos de cinco meses, 2026 já representa 79% do total de mortes pela doença na última década em Mato Grosso do Sul.
A maior parte das mortes está concentrada em Dourados, com 12 registros. Em seguida, Bonito e Jardim têm dois óbitos cada um. Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna e Douradina têm um em cada município.
O grupo de risco da chikungunya é formado por pessoas em extremos de idade e com comorbidades. Entre os 19 mortos em Mato Grosso do Sul, dez eram idosos e quatro crianças. Onze tinham outras doenças, que agravam o quadro de saúde.
Chikungunya mata e causa sequelas
A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa dor incapacitante nas articulações, além de febre alta. A orientação principal é procurar um médico imediatamente, no primeiro dia de sintomas, principalmente em caso de idosos e crianças.
“Ao menor início de febre e dor nas articulações de forma súbita, hoje, no nosso Estado, é chikungunya até que se prove o contrário”, afirma a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, que atua no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).
Geralmente, o quadro de saúde do paciente com chikungunya começa com a febre entre 38°C e 40°C e dor muito forte nas articulações — popularmente chamadas de ‘juntas’. “O início é bastante súbito, a pessoa dorme bem, mas, no meio da noite, acorda com uma dor bastante importante nas articulações”, diz a infectologista.
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, compostos por pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos. Além disso, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos.
Vacinação

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Em Dourados, a vacinação começou no dia 27 de abril e abrange as áreas indígenas e a zona urbana da cidade.
No início de maio, o Ministério da Saúde incluiu Amambai, Batayporã, Douradina e Sete Quedas na estratégia de vacinação contra a doença. O avanço da chikungunya levou a pasta a ampliar a vacinação para esses municípios em situação de epidemia. Ao todo, as cidades receberam 14,4 mil doses.
Entre o público que não pode receber o imunizante, estão gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas ou em tratamento oncológico, transplantados recentes, pessoas com doenças autoimunes ou determinadas condições crônicas associadas, além de indivíduos com febre ou que tenham recebido recentemente outros tipos de vacina. As orientações seguem a bula aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Fonte: Jornal Midiamax
















