Mato Grosso do Sul se tornou o epicentro da chikungunya no país e já concentra cerca de 70% das 24 mortes registradas no Brasil em 2026. Nesta segunda-feira (11), Dourados confirmou o 11º óbito pela doença e elevou o total para 17. Com isso, em pouco mais de quatro meses, o Estado igualou o total de mortes registradas durante todo o ano passado.
De janeiro a maio, Mato Grosso do Sul contabiliza 10.866 casos prováveis, o equivalente a 77% do total registrado em 2025. Já a incidência está em 371,5 casos por 100 mil habitantes, quase 20 vezes maior que a média nacional, de 18,7. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, seguido de Goiás (126,3), Minas Gerais (46,7), Rondônia (42,9), Mato Grosso (22,5), Tocantins (16,8) e Rio Grande do Norte (14,6).
O balanço considera as 15 mortes confirmadas no painel de arboviroses do Ministério da Saúde, somadas aos dois óbitos mais recentes registrados em Dourados nos dias 8 e 11 de maio. Apesar de já confirmadas pelo município, essas mortes ainda não aparecem no sistema federal.
Em todo o Brasil, são 24 mortes confirmadas, 17 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 70,83% das mortes estão concentradas no Estado.
17 mortes confirmadas
Nesta segunda-feira (11), Dourados confirmou mais uma morte pela doença. A vítima mais recente é uma mulher não indígena, de 46 anos, que estava internada no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) desde 26 de abril, quando apresentou os primeiros sintomas da doença. Ela tinha doença respiratória crônica, considerada comorbidade.
Três dias antes, na sexta-feira (8), um bebê indígena, de apenas 48 dias, também morreu em decorrência da chikungunya. Morador da Aldeia Bororó, ele estava internado no HU-UFGD desde o dia 3 de maio. A criança foi levada à unidade por equipes de saúde que atuam na Reserva Indígena de Dourados.
No fim de semana, Bonito registrou a terceira morte por chikungunya; a vítima era uma mulher com mais de 80 anos. O município já havia registrado outras duas mortes por chikungunya. No dia 19 de março, um homem de 72 anos morreu pela doença na cidade, e, em 20 de abril, uma mulher de 87 anos também perdeu a vida para a chikungunya. Conforme a SES, ambos tinham comorbidades.
As demais mortes estão distribuídas em quatro municípios sul-mato-grossenses. Dourados concentra a maior parte dos registros, com 11 óbitos; em seguida, aparece Bonito, com três; Jardim, com dois; e Fátima do Sul, com uma morte confirmada. Em todo o ano passado, Mato Grosso do Sul registrou 17 mortes pela doença, conforme dados do painel do Ministério da Saúde.
Dourados vive epidemia de chikungunya
Em Dourados, epicentro da chikungunya no Estado, já são nove mortes de indígenas. Entre as vítimas, estão três bebês — de 48 dias, 1 mês e 3 meses — e sete adultos, em sua maioria idosos, com idades de 29, 55, 60, 63, 69, 73 e 77 anos. As outras duas vítimas tinham 46 (branca) e 63 (negra) anos e residiam na zona urbana.
Além disso, outras três mortes seguem em investigação: a de uma criança indígena de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro, e a de dois homens não indígenas, de 84 e 50 anos, moradores da área urbana de Dourados.
O que é a chikungunya

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Fonte: Jornal Midiamax

















