Mato Grosso do Sul tem três presídios entre os piores do Brasil

Dados do Cinep (Cadastro Nacional de Inspeções em Estabelecimentos Penais) divulgados pelo Portal Geopresídios revela que Mato Grosso do Sul tem três presídios entre os piores do Brasil.

O principal problema apontado é a superlotação das unidades prisionais. A taxa passa de 300% da capacidade na Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí, cidade no sul do Estado, a 360 quilômetros de Campo Grande.

Conforme a pesquisa, a unidade tem capacidade para 254 presos, no entanto, a população carcerária é de 775, o que representa 301,5% a mais do potencial. A superlotação também foi registrada em outras duas unidades localizadas no sul do Estado.

No estabelecimento Penal de Japorã, município a 477 quilômetros da Capital, são 50 vagas para um população carcerária de 130 presos, 260% a mais que a capacidade total.

A Penitenciária Estadual de Dourados também enfrenta superlotação e está na lista nacional dos piores presídios. Atualmente, são 1.700 presos ocupando espaço adequado para 700. A população carcerária está 240% acima da capacidade.

Procurada pela reportagem do Midiamax, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirma que os dados informados no levantamento não estão atualizados.

Segundo a Agepen, a capacidade na Penitenciária Estadual de Dourados e na Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí são superiores às informadas pelo Portal Geopresídios. No entanto, o número atualizado não foi informado.

A Agepen ressalta o plano de expansão da infraestrutura prisional, que prevê a construção de quatro novas unidades masculinas de regime fechado, o que possibilita 1.632 novas vagas. Dessas quatro unidades, três estão em processo de licitação.

Entre as principais ações do Estado para reduzir a superlotação, a Agepen destaca a criação de 186 vagas no interior e 136 na Capital, além da ampliação programada com outras 64 vagas.

Aumento de presos está relacionado às prisões por tráfico

De acordo com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário, o alto índice de ocupação no sistema prisional de Mato Grosso do Sul está diretamente relacionado ao número de prisões por tráfico de entorpecentes. Cerca de 35% dos detentos cumprem pena por esse crime.

Em nota, a Agepen justifica que a localização geográfica do Estado — que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia — contribui para o alto índice de prisões por tráfico de drogas.

Vale ressaltar que Mato Grosso do Sul tem 1,5 mil quilômetros de fronteira com países vizinhos; por isso, as estradas são as principais rotas utilizadas por organizações criminosas.

Apenas no primeiro trimestre de 2026 — período entre janeiro e março — foram apreendidos 94.887,61 quilos de entorpecentes.

 

Fonte: Jornal Midiamax

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