Onda de calor, seca e incêndios: entenda o que é El Niño e os impactos em MS

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Quem estava em Mato Grosso do Sul em 2023 certamente se lembra do calor intenso que marcou o ano. Em diversos municípios, os termômetros chegaram aos 40°C, ou ficaram muito próximos disso, com sucessivas ondas de calor. As altas temperaturas acenderam alertas para a saúde pública, aumentaram os focos de incêndio e colocaram em risco setores importantes da economia, como a agropecuária.

Todo esse cenário foi influenciado pelo El Niño, fenômeno climático que teve efeitos significativos até 2024, ano em que Mato Grosso do Sul enfrentou inúmeros incêndios florestais, como aponta o Programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Seus efeitos foram severos, e a previsão é de que essa condição volte a se repetir em 2026.

El Niño em formação

Embora o fenômeno ainda não tenha sido oficialmente declarado, a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) já opera em nível de “Alerta El Niño”, etapa que indica condições cada vez mais favoráveis ao desenvolvimento do evento climático.

O cenário atual aponta para uma transição rápida das condições neutras observadas nos últimos meses para um padrão de aquecimento sustentado do Oceano Pacífico.

De acordo com a projeção mais recente da NOAA, divulgada em 16 de maio, há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026. Já a chance de o fenômeno permanecer ativo entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 chega a 96%, período que corresponde ao verão no Hemisfério Sul.

Ou seja, a projeção indica um inverno, primavera e verão muito mais quentes.

El Niño em Mato Grosso do Sul

Segundo análises e boletins técnicos do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), o último episódio de El Niño com influência significativa em Mato Grosso do Sul ocorreu entre 2023 e 2024.

O fenômeno teve intensidade considerada forte em escala global e trouxe reflexos importantes para o Estado, principalmente relacionados ao aumento das temperaturas, períodos de estiagem e agravamento do risco de incêndios florestais, especialmente no Pantanal.

Agora, o evento em formação para 2026 preocupa a entidade, porque os modelos climáticos indicam alta probabilidade de evolução para um El Niño moderado a forte, podendo até atingir intensidade ‘muito forte’ no segundo semestre. De acordo com os técnicos do Cemtec, há possibilidade de intensificação gradual ao longo do inverno e da primavera.

Impactos do El Niño

Assim como em 2023 e 2024, caso o El Niño ocorra em 2026, Mato Grosso do Sul sentirá seus impactos. Os mais esperados são temperaturas acima da média; ondas de calor mais frequentes e intensas; chuvas irregulares, veranicos durante a estação chuvosa; períodos prolongados de tempo seco; e aumento do risco de incêndios florestais.

No Estado, as regiões mais suscetíveis tendem a ser o Pantanal e parte das regiões oeste, sudoeste e norte, onde a combinação entre calor intenso, baixa umidade e redução das chuvas favorece condições críticas para queimadas e déficit hídrico. Novamente, o fenômeno pode gerar impactos importantes à saúde, agricultura e pecuária.

Na saúde, o calor excessivo e a baixa umidade favorecem problemas respiratórios, desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e aumento do desconforto térmico.

Já no setor agropecuário, os efeitos podem incluir estresse hídrico nas lavouras; redução da produtividade agrícola; prejuízos ao desenvolvimento das culturas; degradação das pastagens; e aumento do estresse térmico no rebanho.

O que é o El Niño?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e modifica o padrão de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta. Normalmente, o fenômeno dura entre 9 e 18 meses, podendo começar de forma fraca e ganhar intensidade ao longo do tempo.

Segundo o Inpe, o El Niño é identificado por meio de alguns índices que ajudam a medir as condições do oceano e da atmosfera.

Um dos principais é o ONI (Índice Oceânico Niño), que observa a temperatura da superfície do mar em uma região do Oceano Pacífico chamada Niño 3.4, no Pacífico Equatorial. Ele usa a média de três meses seguidos para verificar se a água está mais quente ou mais fria que o normal.

Quando essa anomalia fica acima de 0,5°C por pelo menos cinco períodos consecutivos de três meses, indica El Niño. Já valores abaixo de -0,5°C indicam La Niña.

Outro índice importante é o SOI (Índice de Oscilação Sul), que compara a pressão do ar ao nível do mar entre duas regiões: Taiti, na Polinésia Francesa, e Darwin, no norte da Austrália. Esse índice ajuda a mostrar como o oceano e a atmosfera estão interagindo.

Em geral, durante o El Niño, a pressão do ar fica mais baixa no Taiti e mais alta em Darwin, resultando em um SOI negativo. Já na La Niña acontece o contrário, com pressão mais alta no Taiti e mais baixa em Darwin, gerando um SOI positivo.

 

Fonte: Jornal Midiamax

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