Influencer e irmão são presos em ação contra lavagem de dinheiro

O influencer Eduardo Rezende da Silva Razuk e seu irmão foram presos em operação contra lavagem, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. A ação é coordenada pelo DERCC (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos) e os mandados são cumpridos em Campo Grande e em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande.

Na Capital, equipes da DERCC e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) estiveram em endereços ligados a Eduardo e ao irmão dele, Rafael Rezende da Silva Razuk, na região da Vila Carlota, do bairro Vilas Boas e do Jardim Cruzeiro. Os policiais apreenderam diversos carros que foram levados para a sede da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos).

Histórico

O influenciador sul-mato-grossense Eduardo Rezende da Silva, conhecido como Eduardo Razuk, ganhou projeção na internet produzindo conteúdo sobre carros e velocidade. Ao longo dos anos, porém, seu nome também passou a aparecer em episódios envolvendo infrações de trânsito, investigações policiais, apreensão de veículos, rifas e disputas judiciais.

Os primeiros registros de repercussão encontrados remontam a *2018*. Em outubro daquele ano, o Campo Grande News publicou reportagem sobre um vídeo em que Razuk aparecia dirigindo em uma rodovia enquanto utilizava o celular. Na gravação, ele também comentava sobre multas e pontuação na CNH.

Carros foram levados para garagem da Defurv (Foto: Osmar Veiga)

Investigações, toque de recolher e prisão em 2020

Foi em 2020 que o influenciador passou a enfrentar os episódios de maior repercussão policial. Em março, durante as restrições adotadas em Campo Grande por causa da pandemia de covid-19, Razuk publicou um vídeo dirigindo pelas ruas durante o toque de recolher. A gravação motivou investigação policial e ele passou a responder por suspeitas relacionadas, entre outros pontos, a direção perigosa, desobediência e descumprimento de medida sanitária. O UOL informou posteriormente que ele foi indiciado por incitação ao crime, direção perigosa, desobediência ao toque de recolher e descumprimento de medida preventiva sanitária.

No mês seguinte, em 17 de abril de 2020, Razuk foi preso em Campo Grande por suspeita de receptação de um Toyota Corolla XRS com placas paraguaias. O veículo havia aparecido em vídeos do influenciador e foi encontrado pela Polícia Civil. Ele foi liberado no mesmo dia após pagar fiança de R$ 20 mil, enquanto o automóvel permaneceu apreendido.

Ainda naquele ano, o UOL noticiou que Razuk passou a utilizar uma área conhecida como Porto Seco para testes de aceleração, chegando, segundo as gravações, a velocidades superiores a 200 km/h. O influenciador afirmava que se tratava de uma área particular e fechada, mas Prefeitura, PRF e especialistas ouvidos pelo veículo apontaram que o trecho era uma via pública.

Em agosto, novas denúncias surgiram após moradores do Carandá Bosque reclamarem de aceleradas e de uma suposta disputa de racha nas proximidades do escritório do influenciador. O UOL informou ainda que Razuk havia sido impedido de utilizar o Autódromo Internacional de Campo Grande após episódios anteriores envolvendo regras de segurança e seu histórico de trânsito.

Dias depois, em 24 de agosto, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a Razuk e ao também youtuber Luan Galasso. Os dois eram investigados em inquéritos envolvendo suspeitas de receptação, contrabando, adulteração de veículos e crimes de trânsito. Carros de luxo e celulares foram recolhidos. A defesa de Razuk afirmou na ocasião que os veículos dele não apresentavam adulterações.

Posteriormente, perícia realizada em três automóveis pertencentes ao influenciador constatou modificações consideradas irregulares. Relatório do Detran-MS também apontou que as alterações poderiam aumentar a emissão de gases poluentes, situação investigada como possível crime ambiental.

Rifas de carros

Outro capítulo das controvérsias envolvendo Razuk foi a realização e divulgação de *rifas de veículos. Em 2020, o UOL publicou uma série de reportagens questionando a legalidade dos sorteios promovidos pelo influenciador. Após a repercussão, ele chegou a suspender as iniciativas.

Em março de 2021, Razuk voltou a divulgar sorteios. Um deles oferecia um Ford Mustang Black Shadow por meio da comercialização de 20 mil cotas de R$ 50, somando R$ 1 milhão. A defesa do influenciador negava a realização direta da rifa e sustentava que Razuk havia sido contratado por uma empresa apenas para fazer a divulgação.

A situação ganhou nova repercussão em julho. O Mustang anunciado como prêmio havia sido negociado com outra pessoa antes da conclusão do sorteio. O ganhador não recebeu inicialmente o automóvel anunciado. O caso gerou questionamentos sobre a propriedade do veículo e a forma de realização da promoção.

Em outubro de 2021, outro automóvel utilizado por Razuk, um Nissan Sentra, foi retido durante fiscalização. Segundo o UOL, aquele era o quarto veículo em poder do influenciador recolhido pelas autoridades desde 2020. A reportagem também registrou reclamações dos agentes sobre a condução em alta velocidade.

Naquele mesmo período, a CNH de Eduardo Razuk foi suspensa por seis meses após o acúmulo de pontos por infrações. O Campo Grande News informou que a suspensão começou em 21 de outubro de 2021. Mesmo assim, vídeos posteriores mostravam o influenciador dirigindo durante viagens.

Em janeiro de 2022, ele afirmou que pretendia conseguir cidadania paraguaia, entre outros motivos, para obter habilitação naquele país e continuar conduzindo veículos. A estratégia gerou nova repercussão nacional. O Detran-MS confirmou ao Campo Grande News que a CNH brasileira de Razuk permanecia suspensa naquele período.

No início da manhã, Eduardo postou storie com carros que foram apreendidos (Foto: Reprodução | Instagram)

Processo por Audi rifado

Em abril de 2024, o Campo Grande News revelou outra disputa judicial envolvendo um sorteio. Razuk tornou-se réu em uma ação no Distrito Federal relacionada a um Audi S3 avaliado em cerca de R$ 250 mil, sorteado em janeiro de 2022.

Segundo a ação, o vencedor descobriu que o carro estava alienado e relatou dificuldades para conseguir a transferência. Meses depois, teria sido acertada a recompra do veículo pelo influenciador, mas o processo foi aberto em razão de valores que o autor alegava não ter recebido. Trata-se de demanda cível, e ser réu na ação não significa, por si só, condenação criminal.

Acidente

Em 6 de novembro de 2024, um Golf GTI pertencente ao influenciador se envolveu em um grave acidente com um motociclista na Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande. Razuk não dirigia o veículo: o carro estava sendo conduzido por um funcionário dele.

Testemunhas disseram à época que o Golf e um Honda Civic estariam envolvidos em uma disputa de racha antes da colisão. A versão foi negada tanto por Razuk quanto pelo motorista do veículo. Naquele momento a polícia não conseguiu caracterizar a existência da corrida ilegal. Dias depois, imagens de câmeras de segurança foram apresentadas pela defesa do motociclista como elemento que, segundo ela, poderia reforçar a tese de que os veículos trafegavam em alta velocidade.

O motociclista sofreu ferimentos graves e foi hospitalizado.

Motociclista pede R$ 1,1 milhão

O acidente voltou a repercutir em março de 2025, quando a vítima ingressou na Justiça contra Eduardo Razuk, pedindo cerca de R$ 1,1 milhão em indenizações por danos morais, materiais e estéticos. Na ação, o motociclista relata consequências físicas, emocionais e financeiras decorrentes do acidente.

O processo também menciona uma rifa posteriormente divulgada pelo influenciador com a justificativa de ajudar na aquisição de uma motocicleta para a vítima. As alegações sobre a promoção integram a versão apresentada pelo autor da ação e, portanto, não devem ser tratadas como fatos já reconhecidos pela Justiça.

Matéria: Campo Grande News

Notícias semelhantes