Mato Grosso do Sul ocupa o segundo lugar no País em reconhecimentos federais relacionados a incêndios em parques, áreas de proteção ambiental e áreas de preservação permanente. Entre janeiro de 2016 e junho de 2026, foram 92 registros no Estado, 28,6% dos 322 contabilizados no Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, com 202.
O peso do fogo também aparece no conjunto das situações reconhecidas no Estado. Dos 261 registros de situação de emergência ou estado de calamidade pública no período, 138 estão relacionados a incêndios, o equivalente a 52,9%. O cenário difere do nacional, onde estiagem e doenças infecciosas virais lideram os 43.268 reconhecimentos registrados no período.
Os dados fazem parte de levantamento do MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), obtido pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). A base reúne os reconhecimentos federais por município, unidade da Federação, tipo de desastre, ano de ocorrência e classificação como situação de emergência ou estado de calamidade Pública.
No Brasil, a estiagem lidera, com 14.558 registros, seguida pelas doenças infecciosas virais, com 13.875. Na sequência aparecem a seca, com 5.703, e as chuvas intensas, com 5.014. Os dados históricos ganham relevância diante da chegada do El Niño e da possibilidade de secas e inundações mais intensas entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Dados estaduais
Diferente da maior parte do Brasil, em Mato Grosso do Sul, o fogo ocupa o primeiro plano. Conforme o levantamento, além dos 92 reconhecimentos relacionados a incêndios em áreas protegidas, outros 46 foram classificados como incêndios em áreas não protegidas, com reflexos na qualidade do ar.
Nessa segunda categoria, o Estado reúne 46 dos 298 reconhecimentos registrados no Brasil, ou 15,4% do total. MS também ocupa a segunda colocação nacional, atrás de Mato Grosso, com 71.

2020 concentra maior número – A série histórica mostra que 2020 foi o ano com maior número de reconhecimentos em Mato Grosso do Sul. Naquele ano, os incêndios florestais atingiram cerca de 1,8 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul, principalmente no Pantanal. Considerando toda a extensão do bioma em MS e Mato Grosso, mais de 3 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo naquele ano.
No período, foram 94 reconhecimentos federais, o equivalente a 36% de todos os registros do Estado nos dez anos e meio analisados. Desse total, 82 foram relacionados a incêndios em parques, áreas de proteção ambiental ou áreas de preservação permanente. A concentração também ocorreu em um período específico: 79 dos 94 reconhecimentos daquele ano foram registrados em setembro.
O comportamento de 2020 destoa dos primeiros anos da série. Entre 2016 e 2018, as chuvas intensas tiveram maior presença nos registros sul-mato-grossenses. Foram 19 reconhecimentos desse tipo em 2016, seis em 2017 e 23 em 2018, somando 48 no período.
A partir de 2019, os incêndios ganham espaço. Naquele ano, sete dos nove reconhecimentos registrados em MS estavam relacionados ao fogo, consideradas as duas classificações utilizadas na base. O movimento se intensificou em 2020.
Nesse período também aparecem na série os reconhecimentos por doenças infecciosas virais. Foram 15 registros dessa natureza em Mato Grosso do Sul ao longo de todo o intervalo analisado.
Calamidade
É justamente nessa categoria que estão os únicos dois reconhecimentos classificados como Estado de Calamidade Pública na base estadual. Ambos ocorreram em 2021, nos municípios de Batayporã e Terenos. Os demais 259 registros sul-mato-grossenses foram classificados como Situação de Emergência.

Estiagem dispara em 2022
Depois do pico dos incêndios de 2020, em 2022, Mato Grosso do Sul teve 50 reconhecimentos federais, dos quais 33 foram provocados por estiagem.
Conforme o levantamento, a concentração é expressiva, pois dos 35 reconhecimentos por estiagem registrados no Estado, entre janeiro de 2016 e junho de 2026, 33 ocorreram somente em 2022. Os outros dois foram registrados em 2021.
Mesmo com o salto naquele ano, a estiagem tem peso muito menor em Mato Grosso do Sul do que no cenário nacional. Os 35 registros do Estado correspondem a apenas 0,24% dos 14.558 reconhecimentos desse tipo no Brasil.
Estiagem
A Paraíba lidera nacionalmente os reconhecimentos relacionados à estiagem, com mais de 3,5 mil registros no período. Já entre as doenças infecciosas virais, segunda maior categoria do País, Minas Gerais aparece na primeira posição, com mais de 3,4 mil.
Em Mato Grosso do Sul, depois do avanço da estiagem em 2022, os incêndios voltaram a predominar. Em 2023, 5 dos 9 reconhecimentos foram relacionados a incêndios em áreas não protegidas. Em 2024, todos os 13 registros do Estado tiveram o fogo como causa. No ano seguinte, foram dez reconhecimentos relacionados a incêndios entre os 11 contabilizados.
Até 30 de junho de 2026, data final da base disponibilizada pelo MIDR, Mato Grosso do Sul tinha quatro novos reconhecimentos: dois por chuvas intensas e dois por doenças infecciosas virais. Entre os registros deste ano estão situações de emergência por doenças infecciosas virais em Dourados e Itaporã e por chuvas intensas em Rio Negro.

Corumbá lidera
Considerando todos os tipos de desastre ao longo da série, os municípios pantaneiros se destacam. Corumbá aparece como o município sul-mato-grossense com maior número de reconhecimentos federais, com 12. Deodápolis e Miranda vêm na sequência, com 11 cada. Aquidauana soma nove registros; Bonito, oito; e Jardim e Porto Murtinho, sete cada.
De acordo com o estudo, o reconhecimento federal não significa a transferência automática de determinado valor ao município. Segundo o MIDR, após ter a situação de emergência ou o estado de calamidade pública reconhecido, o município fica apto a solicitar recursos federais para ações de Defesa Civil. Os pedidos são apresentados pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres e avaliados tecnicamente antes da eventual liberação dos recursos.
Matéria: Campo Grande News

















